quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Biscoito de queijo

Tarde chuvosa, todo mundo no stress, correria para fechar o ano, balanço geral, arrumação de malas, da casa, engarrafamentos, buzinas. Ai fim de tarde, quando você menos espera, a chuva pára, o sol desponta no horizonte, já de despedida do dia, você chega em casa e dá vontade de tomar aquele cafezinho com biscoito de queijo. Polvilho e queijo curado sempre tem em casa de mineiro, não importa onde ele esteja. Então mãos à obra que vai, já já sair o biscoito da hora, mineiríssimo claro.

Biscoito de queijo


1/2 kg de polvilho azedo
1 colher (sobremesa) de sal
200g de queijo minas ralado meia cura
3 ovos
1/2 de óleo
1/2 copo de leite
um pouco de água


Numa vasilha, misturar o polvilho e o sal. Escaldar com o óleo e o leite fervendo. Adicionar os ovos, o queijo ralado e um pouco de água. Amassar bastante até desgrudar das mãos. Fazer os biscoitos e levar para assar em tabuleiro untado em forno quente até começar a dourar.

Esse biscoito fica também delicioso se você inventar um recheio, que pode ser de frango desfiado, de sardinha, de atum, salsicha, palmito e rechear antes de assar. É só fazer um molho básico, mais seco. Formatar os biscoitos em forma de uma bolinha e rechear, abrindo um pouco com uma colher. Assar normalmente. Fica uma delícia, com ou sem recheio.


Aproveito a data e desejo a você que, por qualquer motivo visita esse blog, um 2011 cheio de conquistas, farturas e boas energias!



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Gostosuras




Tua saudade tem gosto de amora

O teu beijo tem gosto de pitanga.




Quintana, Mário - Preparativos de viagem. SP : Globo, 2008.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Biscoito João Brum

Esta receita também está no livro Quitandas de Minas, receitas de família e histórias e como não poderia deixar de ser, tem lá sua historinha pitoresca. Tia Bi, ou Bia, como é chamada por seus amigos foi a segunda filha da minha avó a se casar. Sendo uma das mais novas, minha avó quis bem prepará-la para o matrimônio, afinal, nos anos 1960, uma moça só saia da casa dos pais com seus dotes culinários reconhecidos.

Então, Tia Bi foi fazer o Curso de Culinária com uma dona fulana, que ninguém mais lembra o nome, mas o marido era o Sr. João Brum que adorava um certo biscoito que a mulher fazia. O biscoito entrou nos cadernos da família como Biscoito João Brum.


E voilá. Eis a receita:

800 g de maisena
2 xícaras de manteiga
2 xícaras de açúcar
2 gema
1 vidro de leite de coco (200 ml)

Modo de fazer: Misturar os ingredientes, aos poucos. Amassar tudo muito bem. Fazer bolinhas com a massa, achatando-as. Levar para assar em forno brando, em tabuleiro untado.



Os biscoitos ficam delicadíssimos, além de ser uma delícia! Bom para acompanhar um chá ou um cafezinho.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Pãozinho de batata da Tia Zoé

Dezembro é sempre tempo de correria, de idas e vindas às compras. Todo mundo só pensa em comprar e essa mania está cada vez mais em voga. Sinceramente não sei onde vamos parar, comprando tanto.
Eu prefiro, nesse tempo de compras, ficar em casa e botar em prática os dotes culinários
.

Cada dia que passa, acho a cozinha um lugar mais agradável, mais poderoso. Sei que as minhas tias
-avós, que viviam na fazenda nem muito tempo tinham de ir à cidade para as compras. Mas iam, às vezes. E traziam panos e aviamentos, porque eram elas mesmo que costuravam as suas roupas e da filharada, uma bolsa que não resistiam, sapatos para quase todos, que normalmente duravam muitos anos, algum bombom, já que o chocolate era algo raro.
Tia Zoé, a segunda das filhas, já casada, morava na capital e sempre recebia a parentada com carinho, atenção e mesa farta.

Essa receita de pãozinho de batata está no Quitandas de Minas, e foi copiada do caderno da Tia Zoé, e tinha a notação de "muito boa" e é bem fácil de fazer. Vamos experimentar?


Pãezinhos de batata da Zoé


2 kg de farinha de trigo

½ kg de batata cozida e passada no espremedor
2 xícaras de açúcar
1 xícara de banha derretida
1 colher (sopa) de manteiga
2 copos de leite
2 tabletes de fermento de pão (ou 2 colheres bem cheias)
6 ovos inteiros
1 colher (café) de sal.

Modo de fazer:
Dissolver o fermento no leite morno, juntando a batata,
duas colheres de açúcar bem cheias e uma xícara de farinha de trigo.
Essa massa deve ficar na consistência de panqueca.
Deixar na gamela por mais ou menos uma hora.
Depois de crescida a massa, juntar os demais ingredientes,
amassando e sovando bem. Se precisar colocar mais leite.
A massa não pode ficar muito dura.
Enrolar os pãezinhos e colocar num tabuleiro para crescer novamente.
Depois de bem crescidos, passar gema de ovo batida com um
pouquinho de manteiga e levar ao forno para assar.


E deixo essa receita da Tia Zoé, com muita saudade de todas as tias, irmãs da minha avó Naná. Ontem
Tia Lacyr, a única que ainda estava com a gente, resolveu se juntar às irmãs pra uma grande festa no céu. Saudade de todas.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O livro de Zenóbia

" A outra avó de Zenóbia era uma quitandeira de mão cheia. Com três xícaras de polvilho, duas de açúcar, cinco ovos (dois sem clara) e casca de limão ralada a gosto, fazia brevidades de dar água na boca. Seus pães de queijo eram o seu maior tesouro. Para não falar dos bolos de cenoura, das roscas de trança e dos doces. Seu tempo não tinha o mofo dos que em geral vivem muitos anos. Renovava-se a cada biscoito, a cada papo-de-anjo. Com ela Zenóbia aprendeu os mistérios da broa de milho sem farinha de trigo e do pudim de leite com rapadura; compartilhou cada instante de cada uma de todas as gostosuras. E foi num dia de chuva, entre relâmpagos e crisântemos, que essa avó lhe disse em silêncio que naquelas quitandas deixava sua maior herança. "


Maria Esther Maciel. O livro de Zenóbia. RJ: Ed. Lamparina. p27


O texto em si já dispensa outras palavras!

domingo, 28 de novembro de 2010

Arroz doce de Santa Bárbara

Quando estava fazendo minha pesquisa para a feitura do Quitandas de Minas recebi da amiga Marli Bicalho, de Santa Bárbara, uma apostila que ela e outras professoras fizeram com alunos das quartas séries do Ensino Fundamental da Escola Estadual Dom Bosco.

A iniciativa é super louvável porque além de resgatar sabores da região, valoriza as famílias das crianças e a auto-estima da comunidade, preserva costumes, sabores e memórias, além de aguçar nas crianças a vontade de descobrir e apreciar as texturas e gostos dos alimentos. Isso tudo além de resgatar as histórias da elaboração de cada um dos pratos apresentados.

Essa receita recolhida pela Marli veio da Rita Carneiro Araújo, conhecida como d. Nenen. No seu relato, ela diz que a receita traz lembranças da mãe, que fazia arroz-doce todo domingo num tacho enorme e que era servido à família (ela, d. Nenem e seus 16 irmãos) depois da missa. Isso lá em Santa Bárbara. A receita é uma das quase 400 do Quitandas, e está à página 148. O crédito da foto é de Pacelli Ribeiro.



Arroz doce de Santa Bárbara

1 litro de leite
1 lata de leite condensado
1 medida (lata de leite condensado) de arroz
1 e ½ litro de água
Canela em pau e em pó.
1 pitada de sal
2 gemas
4 colheres (sopa) de açúcar

Cozinhar o arroz com água. Depois de cozido colocar o leite, o leite condensado, o sal e a canela em pau. À parte, bater as gemas com o açúcar até ficar bem cremoso. Misturar ao doce. Polvilhar com canela e deixar esfriar.


O mais legal disso tudo são as histórias que vem juntas às receitas, não é?

sábado, 20 de novembro de 2010

Pavê de manga

Como a época é de manga e nós temos mangueira por quase todos os quintais, praças e nas ruas das grandes ou pequenas cidades, deixo mais uma receita com essa delicia nutritiva, que descobri e adaptei.


Pavê de manga
eu resolvi fazer um pavê diferente misturando um pouco das receitas que encontrei. Vou deixar aqui a que fiz:

1 manga grande
1 lata de leite condensado
1 lata de leite
1 colher (sopa) de maisena (ou amido de milho)
1 gelatina em pó e sem sabor
1 pacote de biscoito champagne
umas folhas de hortelã


Fui fazendo tudo meio simultaneamente:
Coloquei num refratário médio uma camada de biscoito e molhei um pouco com leite.

Dissolvi a gelatina conforme recomenda a embalagem. Reservei. Descasquei a manga, piquei e coloquei no liquidificador. Separei uma palinha para usar de enfeite. Antes de bater, juntei a gelatina e algumas folhas de hortelã. Bati e despejei um pouco sobre a camada de biscoito que estava no refratário.

Coloquei outra camada de biscoitos. Enquanto isso, coloquei numa panela o leite condensado e o leite e a maisena e levei ao fogo para engrossar. Fiquei mexendo para não queimar. Quando achei que estava numa consistência boa, despejei sobre os biscoitos fazendo outra camada de creme.

Depois, mais uma camada do creme do liquidificador com a manga e a hortelã, mais uma camada de biscoito e a última com o creme branco, que conforme você pode ver na foto, não cobriu todo o biscoito, mas tudo bem, não atrapalhou em nada o sabor. Depois disso, passei o plástico filme e deixe dormir na geladeira.

E comi depois do almoço do dia seguinte. Ficou muito bom! hum.... Mais tarde a Marilene também comeu e aprovou total, só sugeriu que eu trocasse o biscoito (eu fiz com biscoito maisena, como você pode ver na foto) pelo biscoito champagne, que fica melhor. Pensei: - é verdade. E troquei lá na receita acima.

Ah, e tem mais: Nos dias que se seguiram eu continuei comendo esse pavê de sobremesa... ele foi ficando cada dia mais gostoso, mas claro, não durou uma semana.

Agora só falta você !


sábado, 13 de novembro de 2010

24º Festival de Jabuticabas de Sabará

Próximo fim de semana, dias 20 e 21 de novembro, a cidade de Sabará promove mais uma edição do FESTIVAL DA JABUTICABA.

O evento acontece na Praça de Esportes a partir das 10h, com ingressos ao preço de R$3,00.
Serão mais de 30 stands de derivados da doce pretinha: bombons, licores, geleias, bolos etc,
10 barracas da fruta in natura,
14 barracas de gastronomia diversa.

Acontecem também alguns FESTINS:

Jabutinata (serestas, poesia e produtos da jabuticaba) np Espaço Cultural e de tradições Grastronômicas, no bairro Adelmolândia. (31) 3671-3241

Jabuticaba Gourmet (café colonial, almoço especial e jantar gourmet com pratos finas à base de jabuticaba) - Hotel Solar São Francisco - (31) 3671-3040

Primor do Quintal
- dia 27 de novembro - R. José Vaz Pedrosa, 175 Bairro Pompéu.
Prato de entrada, principal e sobremesa à base de jabuticabas preparadas pelo chef. (ingressos antecipados)

Mais informações: ww.sabara.mg.gov.br // www.turismosabara.com.br
Centro de atendimento ao turista: (31) 3672-7690 // 3671-1403


Volto falando mais sobre a manga, já que também é tempo dessa saborosa fruta! E eu não poderia deixar de trazer essa informação sobre esse evento genial, delicioso de Sabará, cidade tão perto de BH!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

manga com leite

Minha avó Maria, a portuguesa, mãe do meu pai, que morava perto do rio, recomendava que não se podia misturar manga com leite. - fazia mal, dava indigestão, podia até matar, realçava ela.

No quintal da avó de cima, a vovó Naná, as tias até falavam também, mas não se importavam muito. A manga era chupava, no pé mesmo, normalmente depois do almoço. Leite a gente tomava pela manhã, ou à noite, para dormir, então, nunca teve problema, mas o mito reinava: Manga com leite, morte na certa! A meninada ria. Hoje sabemos que isso não passa de um mito, que ainda se escuta pelo interior, aos pés das mangueiras carregadas e de meninos àvidos por experimentar a imortalidade.

Esse mito
foi criado na época da escravidão pelos senhores de terras e fazendeiros para fazer com que os escravos não misturassem manga e leite. Há uma teoria que diz, que naquela época o leite era um bem raro e caro. Outros dizem que era a manga a fruta na época nobre e ainda rara por aqui. O fato é que a crença ainda vigora por nossas fazendas e mentes, mas não passa de mito.

Os nutricionistas de hoje, ao contrário, recomendam a mistura.

A manga contém altos teores de ótimos nutrientes, como o betacaroteno e a pró-vitamina A - além de ser fonte de vitamina C e E, fósforo, ferro, cálcio, lipídios e proteína. O leite, por sua vez, é rico em proteína, cálcio, vitaminas A e D, riboflavina, fósforo e magnésio.

Moral da história: um coquetel de manga com leite garante fartas doses de vitaminas e sais minerais dos mais importantes para o organismo humano. Então, um sorvete nesse calor, vai bem demais!

Sorvete de manga cremoso

1 manga grande picada
1/2 litro de leite
1/2 litro de creme de leite
200g de açúcar
5 gemas
1 colher de (chá) de baunilha


Bater a manga no liquidificador com um pouco de açúcar formando um creme. Juntar o leite, as gemas e o resto do açúcar. Misture bem. Despeje numa vasilha e levar ao fogo, mexendo até ficar cremoso. Retirar do fogo, misturar creme de leite e a baunilha e levar ao congelador. Quando começar a congelar, retirar o bater outra vez. Repita esse processo ainda algumas vezes até o sorvete ficar bem cremoso.

E ai?


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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Geleia de Manga

Todo verão, quando as mangueiras estão à toda, não é raro conseguir de graça a saborosa fruta. Espalhadas pelas ruas da cidade grande, a mangueira faz sombra e purifica o ar; nas regiões litoraneas, exuberantes mangueiras também se exibem, refrescando a sensação de calor. Pelo interior do país, as frutas servem de alimentos não só aos passarinhos, mas a todos os animais.

Com tanta fartura, não consigo ficar imune: lembro que há muito tempo, de férias numa chácara na periferia de Goiânia, eram tantas a quantidade e variedades de manga que resolvi juntar tudo e fazer geleia com a única panela que tínhamos na casa. Foi tudo meio intuitivamente, sem receita, sem balança, mas rendeu bastante e deu o que falar. Ainda trouxe uns potes, depois de distribuir para vários amigos da cidade.

Outra vez, de visita à casa de um amigo, no Arraial d'Ajuda-Bahia, diariamente, jardim e quintal amanheceiam coalhadinho de mangas. Como a gente não conseguia consumí-las, meu amigo ordenava ao caseiro que recolhesse e jogasse fora. Inconformada com aquilo me propus a ir pra cozinha preparar a geleia. Comprei um saco de açúcar, alguns limões, peguei faca, um liquidificador e mãos à obra. Ainda retornei no outro dia pra fazer outra tachada de geleia de mangas. E podia repetir isso outros e outros dias.

A receita abaixo é uma das várias do livro Quitandas de Minas, receita de família e histórias, mas pra geleia de fruta, não tem mistério: é juntar a fruta, açúcar, um limão pra cortar o doce, um poco de água, colocar no fogo e deixar engrossar. Importante lembrar que cada fruta tem suas características e nem todas dão geleias com tanta facilidade. Se a fruta for rica em pectina é uma maravilha. Segue a receita que, no livro, está à página 154.

Geleia de manga
2 kg de manga madura
½ kg de açúcar cristal
Caldo de 1 limão
Água

Modo de fazer:
Escolher mangas maduras, lavar e descascar a manga. Cortar em pedaços, aproveitando os pedaços sadios (nem sempre a manga está toda boa, principalmente se tiver sido apanhada no chão). Bater no liquidificador com um pouco de água. Numa panela, levar ao fogo médio. Mexer sem parar até engrossar e atingir o ponto de geleia. Use sua sensibilidade!

Enquanto quente a geleia fica mole, mas quando esfria engrossa. Colocar a geleia em vidro esterilizado. Guardar em geladeira.

(as fotos foram feitas em Soure, capital da Ilha de Marajó, um lugar cheio de mangueiras enormes, maravihosas e búfalos soltos, que adoram suas sombras e seus frutos. Nesse caso, é claro, as crias botam abaixo a teoria de que leite e manga faz mal. ;-)))))

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Gilberto Freyre, açúcar e manga


A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty homenageou esse ano o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), pernambucano que tratou a miscigenação e identidade nacional de forma definitiva para a história da literatura e sociologia brasileiras através dos livros Casa-Grande & Senzala (1933) e Sobrados e Mucambos (1936) e Açucar (1939).


No livro Assúcar , naquela época escrito assim mesmo, Gilberto Freyre se debruçou sobre as tradições familiares no preparo de doces, criou a sociologia do doce brasileiro a partir de receitas de bolos e doces do nordeste do Brasil, caracterizando nosso povo e demonstrando que nossa afeição pelos doces é herança recebida dos portugueses, claro com a contribuição das mãos africanas e das especiarias nativas utilizadas pelos índios.

Seu doce preferido era o coupe regional, uma mistura de cocada e sorvete de tapioca. A intelectualidade, claro, torceu o nariz. Como um sociólogo vai escrever sobre bolos e quitutes? Houve até quem dissesse que o autor de Casa-Grande & Senzala era um sociólogo de alfenin – em referência ao doce preparado a base de clara de ovo e açúcar.

O sociólogo afirma que o açúcar moldou nosso jeito de ser e nossa alma e completou: Sem açúcar não se compreende o homem do nordeste.


Durante os séculos 16 e 17, Pernambuco foi o maior produtor mundial de açúcar. E atualmente o Brasil, é um dos maiores exportadores de manga, ficando atrás apenas da Índia e do México. Sua produção anual é estimada em mais de 1 milhão de toneladas. O maior estado produtor é justamente Pernambuco, seguido por Bahia e São Paulo. Foi por isso que fiz aqui essa junção de Gilberto Freyre + Açúcar + Manga, já que essa fruta maravilhosa está entrando na safra.

Deixo então do livro Açúcar de Gilberto Freire, a receita do Doce de Manga tal qual ele escreveu, sem
nada de complicação.

Doce de manga
Descasca-se a manga e corta-se em talhadas. Faz-se um mel ralo
(calda) põem-se dentro as talhas, que se levam ao fogo para fazer o doce. Quando o mel se mostra em ponto de fio brande o doce está pronto.



Volto com mais manga, já que são tantas as variedades e tão saborosas e nutritivas.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mangueiras da minha infância

Dentre as frutas daquele imenso quintal, que você leitor desse blog já conhece, a manga é uma das mais representativas. Havia várias mangueiras de manga coquinho, um pé de manga- espada que ainda resiste bravamente em meio às construções. Lembro bem, do lado de baixo da casa grande, tinha 3 ou 4 pés de manga-coquinho que a meninada atacava depois do almoço. A gente se esbaldava, ali, trepados mesmo no pé, pulando de um pé a outro, correndo o risco de esborrachar no chão. Mas isso nunca aconteceu!

No meio da algazarra, a turma lembrava a outra avó que recomendava não misturar nunca manga com leite: - manga com leite mata. Tem que dar um espaço de tempo, dizia ela. Mas a gente naquela época era mesmo imortal!


A manga (Mangifera indica L.) originada no sul e do sudeste asiáticos, o fruto da mangueira árvore da família Anacardiaceae é uma planta milenar. Veio para o Brasil trazida pelos portugueses que a disseminaram pelo mundo. É hoje largamente cultivada em praticamente todos os países tropicais e subtropicais, já que prefere regiões de clima quente, úmido com períodos secos. As mangas variam de tamanho, cor e forma, mas quase todas apresentam polpa suave, doce, suculenta e de sabor definido, algumas fibrosas outras não, conforme seu tipo, que são mais de mil variedades, dizem os especialistas.

A manga, considerada a rainha das frutas tropicais, além de ser uma fruta deliciosa para consumo in natura, pura ou acompanhada, também serve como ingredientes para molhos para carnes, saladas, conservas, mousses, gelatinas, geleias, sucos, refrescos, doces, marmeladas, compotas etc.

Excelente fonte de vitaminas A e C apresenta quantidades razoáveis de vitaminas do Complexo B e sais minerais como cálcio e fósforo, além de fibras dietéticas.

As propriedades medicinais da manga são inúmeras, como também sua variedade. Graças à grande quantidade de ferro a manga é indicada para tratamentos de anemia, benéfica para as mulheres grávidas e em períodos de menstruação e é um ótimo purificador do sangue, além de ser bom diurético, promovendo a regularidade intestinal.

Pesquisas recentes indicam a manga como um auxiliar no combate à diabetes, devido a alta presença da pectina, fibra solúvel que retarda a taxa de absorção da glicose. Nos problemas das vias respiratórias, como catarros, tosse e bronquite, uma porção de manga atua como expectorante.

Pessoas que sofrem de câimbras, stress e problemas cardíacos, podem se beneficiar das altas concentrações de potássio e magnésio que também auxiliam à quem sofre de acidose e outras doenças do estômago. Nesse caso é recomendada ingestão na parte da manhã. Atua também na recuperação de gengivites, feridas na boca e no canto dos lábios, escaras e úlceras varicosas.


Na Índia, onde a manga é a fruta nacional, acredita-se que as mangas estancam hemorragias, fortalecem o coração e trazem benefícios ao cérebro. A manga não é um fruto calórico, ao contrário do que pensam e pode ser ingerida por pessoas de qualquer idade.

Saborosa e nutritiva, nativa em quase todo o Brasil, é difícil nomear todas as suas variedades, mesmo porque todo dia surge uma nova qualidade, pela facilidade de miscigeração e hibridismo que possibilita.

Na minha infância me eram familiar as manga-coquinho e espada. Na adolescênia a manga-rosa e a coração de boi. Na vida adulta, a manga comprada em supermercado, a haden, tommy... que a minha mãe aprendeu a gostar.
Eu, meio puritana, fico ainda esperando as safras das mangueiras do quintal da minha infância, que às vezes, tem até bicho, mas são as melhores mangas do mundo.

Algumas características de algumas variedades de manga encontradas por aqui:


Manga-coquinho: de cor verde-amarelada, pequena e arredondada, muito doce e quase sem fibras, "para chupar sem frescura", como sugeriu a Giovanna Tucci do Paladar;
Manga-espada: mais esverdeada, fibrosa e doce. É boa para molhos e para ser desidratada.
Manga-haden: grande, de cor vermelho-amarelada, em forma de coração, doce e sem fibras, híbrida;
Manga-rosa: um pouco menor que a haden, de cor amarelo-rosada e polpa fibrosa, rústica e doce;
Manga-coração-de-boi: muito parecida com a manga-bourbon, tem forma de coração, grande, de cor amarelo-esverdeada e polpa sem fibras.



Volto com receitas dessa delícia da natureza!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A batida secreta de Gilberto Freyre

Pesquisando sobre frutas, comidas, história etc achei essa curiosidade no site da Revista Almanaque Brasil tirada do livro de Luís da Câmara Cascudo, História da Alimentação no Brasil, que vale a pena compartilhar com os leitores do Quitandas de Minas.

"A batida secreta de Gilberto Freyre

Ninguém entrava na casa do pernambucano Gilberto Freyre sem passar pelo ritual introdutório: provar a batida de pitanga criada pelo anfitrião. E olha que muita gente entrou lá. O escritor José Lins do Rego dizia que a casa era o “Vaticano do Recife”. John Dos Passos, novelista dos Estados Unidos, consumiu um frasco todo da bebida. Roberto Rossellini, cineasta italiano, um e meio. Freyre explicava que a cachaça precisava ser de “cabeça”, o primeiro jato do alambique. As pitangas, colhidas na hora, tinham que estar bem vermelhas. Ia ainda um licor de violeta feito por freiras de um convento de Garanhuns. E um “pormenor significativo” – que ele nunca revelou qual era; nem para a mulher, nem para os filhos. Um dos poucos que não passou da primeira dose foi o cronista Rubem Braga. Bebeu meio cálice, fez um muxoxo e pediu uísque."

Eu volto falando de Gilberto Freyre, aguarde!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Geleia de pitanga

No Quitandas de Minas, o livro, não entrou a receita da geleia de pitanga que faço sem receita, desde pequena. Minha história com essa frutinha me é tão pragmática que quando organizei o livro ela escapou. Caprichos da vida.


Vou te contar aqui como eu fazia, e ainda faço, sempre que pego uma pitangueira cheia das vermelhas.
A pitangueira (

-->Eugenia uniflora L) é uma árvore interessante: primeiro se enche de flores branquinhas e fica toda exibida às abelhas e pequenos insetos, sem parar de soltar flores, começa a fazer crescer as frutas, que ficam verdes, depois vão se tornando vermelhas e mais vermelhas. Nesse ponto é que é bom de apanhar. Simultaneamente a pitangueira vai soltando outras flores, fazendo crescer outros frutos verdinhos e amadurecendo as frutas. E ai é que está o perigo: pra comer, ou fazer geleia só valem as vermelhinhas, bem vermelhas. Se mistura as verdes a geleia amarga.E para apanhar só as vermelhinhas, ai ai ai não é fácil não, principalmente quando a pitangueira é alta, já velha. A gente tem que subir num muro, em cima do telhado, se equilibrar lá nas grimpas...

Mas compensa! O pouquinho de geleia que dá traz a infância de volta e isso não tem preço!

Eu fazia a geleia assim:
- Primeiro lavava toda a pitanga colhida,
- Depois colocava numa panela, com um pouco de água (bem pouco) levava ao fogo e deixava ferver.
- Com a colher, sem mexer muito, ia devagar tirando a poupa do caroço. Isso tem que ser feito com delicadeza, senão a geleia fica amarga também. É um segredo que tive que ensinar para a minha mãe. ;-p)
- Depois disso, passa numa peneira para tirar todo o caroço (e eventualmente algum bicho de pitanga que ficou).
- Ai, mede o que apurou e coloca em outra vasilha para ir ao fogo novamente com metade da medida apurada de açúcar (sempre usei o cristal).
- Acrescente caldo de limão, proporcionalmente (isso sempre fiz "no olho")
- Deixa ferver até chegar o ponto de geleia.
- Depois é colocar num vidro esterilizado, ou comer tudo ali mesmo, na torrada, com pão, se for pouquinho ou se você for muito gulosa, como eu fazia.

Raramente dava para mais de um dia essa geleia de pitanga!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Bolo de Rosas

A bruxa Márcia Frazão, em seus livros, celebra a cozinha como um espaço sagrado, onde é possível dançar, criar e recriar receitas especiais, perfumes e óleos aromáticos, unguentos, filtros de amor a partir de vinhos, vinagres, flores e ervas. Processando alimentos, mulheres e também homens (porque não?) misturam desejos a sonhos, (re)descobrem mistérios e experimentam sensações mágicas.

Como lugar sagrado, alguns cuidados devem ser tomados antes dos rituais, ou da preparação de qualquer receita. São do livro Amor se faz na cozinha, publicado pela Editora Bertrand Brasil, esses conselhos de Márcia Frazão, são também contemplados no Quitandas de Minas, o livro que deu origem a esse blog.

* nunca prepare nenhum alimento quando estiver irada.
* tome um banho de ervas antes de ir para a cozinha
* vista-se com roupas leves e sensuais.
* dê sempre preferência a panelas de barro, cerâmica ou de pedra.
* misture alimentos com colher de pau.

* mantenha flores na cozinha.
*queime incensos de fragrância suave
* não fale palavras rudes quando estiver cozinhando.
* nãopense em nada desagradável quando preparar o alimento.
* tenha sempre o acompanhamento de uma boa música.
* certifique-se de que não falta nenhum ingrediente.

E porque a rosa é a flor mais carregada de simbolismos e encantamentos em várias crenças, uma planta feminina, regida pelo planeta Vênus, o planeta do amor e da beleza, deixo uma receita especial para se fazer quando se está apaixonada, ou apaixonado, claro! Garanto que essa receita é capaz de promover algum efeito amoroso, ou no mínimo muito bem estar.

Bolo de rosas


2 xícaras de açúcar
4 colheres (sopa) de manteiga
4 ovos
2 xícaras de farinha de trigo
1 lata de creme de leite
1 colher (sopa) de raspa de casca de limão
1 xícara de pétalas de rosas vermelhas
1 colher (sopa) de fermento em pó

Numa bacia, bater o açúcar, a manteiga e as gemas até obter um creme homogêneo. Acrescentar, aos poucos, a farinha de trigo, o creme de leite
e as raspas de limão. Bater as claras até ficarem em neve e misturar à massa. Juntar o fermento e as pétalas de rosas lavadas e secas. Assar em forma redonda em forno pré-aquecido.


E não sei se por coincidência ou não, acabei hoje transformando minha cozinha num verdadeiro altar. O bolo que fiz vai ser compartilhando com uma bruxa muito mais poderosa, já que ainda sou aprendiz!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É Primavera!

Pitangueiras em flor

A primavera chega oficialmente às 00h09, horário de Brasília, do dia 23 de setembro, aqui no hemisfério sul. É o momento exato do equinócio da primavera.

É tempo de celebrar a chegada da estação mais alegre do ano.

Deixo hoje, imagens da pitangueira em flor que me fazem reviver a infância feliz naquele casarão centenário, rodeado de tias, histórias e sonhos.

Lá em casa, toda vez que a pitangueira enchia das frutinhas vermelhas logo as tias me chamavam para apanhá-las. Muitas vezes eu enchia uma caneca e tratava logo de fazer geleia das pitangas, que mal dava para que todos provassem... Era meio de brincadeira, como as coisas que faz toda criança, mas até hoje, toda vez que a Tia Aurea vê a pitangueira carregada chega logo perguntando se eu não vou fazer geleia.


Naquele quintal imenso em que vivia, hoje, nem todos as àrvores estão de pé. Meu avô ainda em vida dividiu o lote, deixando para cada filho um bom terreno para fazer uma casa... o lugar continua encantado, com todos ali, morando por perto.
Felizmente ainda há muitas árvores e a pitangueira resiste, junto da jabuticabeira, algumas mangueiras, algumas flores, as galinhas garnizé e os pintinhos que aparecem da Tia Imene, alguns patos, os micos, passarinhos, as maritacas ...






Então, para saudar a primavera, aqui no Quitandas de Minas, só tem flor!
mas eu volto com receitas, breve breve!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

flores comestíveis - 2

Setembro é tempo de flores, frutos... passarinhos em algazarra; a chuva, para limpar a poeira, o sol chegando mais cedo. Tudo colorido, geleias, doces, quitandas e saladas...

Além de milhões de motivos para comer bem pouco ou evitar totalmente a carne (você já deve ter percebido que não sou muito de carnes, já que nunca tenho receitas com carnes - melhor deixar os bichinhos livres, fornecendo ovos e leite, já está bom) volto falando de flores comestíveis e venho com três das mais comuns dos nossos jardins e canteiros. O importante é saber como são plantadas e colhidas.
Para consumí-las, depois de conhecê-las, é só usar a criatividade e experimentar. Opções não faltam!

Amor-Perfeito – (Viola tricolor L.) Tem textura aveludada e flores delicadas que são boas para adornar saladas ou aromatizar vinagres. As pétalas das violetas têm um sabor adocicado suave e perfumado e podem ser consumidas frescas ou cristalizadas em açúcar, incluídas em geléias, manteiga. A flor completa tem um sabor mais vegetal e ligeiramente ácido. As cores e combinações são muitas e variam de amarelo, azul, roxo, branco, rosa, marrom e negra, por isso são usadas para decorar sobremesas, pudins, bolos, sorvetes; para flutuar sobre a sopa, além de decorar outros pratos. O amor-perfeito tem propriedades: antiinflamatória, expectorante, estimulante, diurética e laxante e depurativa, entre outras.


Capuchinha: (tropaeolum majus) De origem mediterrânea, onde começaram a ser comidas, tem flores vistosas, nas cores amarela e vermelha. São boas recheadas, cristalizadas ou como guarnição, além de serem vastamente usadas nas saladas de verão. As flores, folhas e sementes têm gosto apimentado que faz lembrar o agrião. Contém ferro, cálcio, enxofre e vitamina C e várias propriedades medicinais: descongestionante, tonificante e revigorante e afrodisíacas, além de ser rica ômega 3 atuando na prevenção de doenças cardiovasculares e em luteína, relacionado com a prevenção de doenças dos olhos.


Calêndula(Calendula officinalis L) Originária da Europa meridional era consumida como se fosse uma hortaliça. Com pétalas comestíveis, de sabor amargo, picante e apimentado lembra o açafrão. Muito eficaz como cosmético e medicamento no tratamento de pele por suas propriedades adstringente, analgésica, antialérgica, antiespasmódica, anti-séptica, antiviral, bactericida, cicatrizante, é usada como também corante culinário. Suas pétalas podem ser misturadas ao arroz, ao peixe, à sopa, aos queijos, iogurtes e omeletes, ao queijo e à manteiga. A flor tem inegável perfume e as folhas são macias e aveludadas, cultivadas sem agrotóxicos são comercializadas para decoração de saladas ou em outros pratos.


Se você tiver alguma receita de quitanda com essas flores, por favor, me mande que compartilho com os leitores! Conto com sua colaboração!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

minigeleia de pétalas de rosas

1 xícara de água
6 xícaras de rosas vermelhas comestíveis
1 colher (chá) de suco de limão
1 colher de açúcar

Lave bem as pétalas de rosa, corte com uma tesoura as pontinhas brancas e coloque em uma panela de vidro ou esmaltada. Regue com o limão. Depois junte a água e leve ao fogo até levantar fervura. Acrescente o açúcar e deixe ferver até formar uma espuma espessa. Para saber se está no ponto de geleia, encha a colher e incline. Se duas gotas se juntarem é porque está pronta.


Outra receita de geleia de pétalas de rosas:
essa de origem alemã:
Açúcar e água

Comece fazendo uma calda com o açúcar. Deixe no ponto de fio, que é quando você molha o dedo indicador na calda e junta ao polegar. Se ao abrir, formar fio, sem quebrar, o ponto é o “de fio”. Acrescente o vinho, junte as rosas sem lavar, (limpe com um pano) e deixe de 1 a 2 minutos. Depois de fria, guarde em vidro.

Lembre-se que quando se fala em geleias, bolos ou licores de pétalas das flores é importante saber onde e como essas flores foram cultivadas. Nunca use flores compradas em floriculturas.

Aproveite a receita para se encantar também com o perfume e a beleza das rosas, mas cuidado com os espinhos.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Flores Comestíveis


É Setembro, outra vez!

De acordo com o calendário da natureza, da roda das estações, setembro é tempo de primavera e de flores, do acasalamento das aves. As flores não só são enfeites aos olhos, nem só trazem perfumes ao olfato, servem para atrair pássaros e insetos e com isso, garantindo a continuidade das espécies, não só delas próprias, mas de toda a cadeia ecológica. E, na culinária, servem para abrir o apetite, estimular o paladar, enfeitar pratos. Hum...que beleza!

E não posso esquecer também das propriedades fitoterápicas das flores, hoje já vastamente usadas: medicamentos, aromaterapias, óleos de massagens, pomadas, chás, florais, extratos, unguentos, glóbulos e um montão de outros usos medicinais.

Desde a antiguidade, flores diversas são usadas na preparação de alimentos, licores, doces e outros atrativos gustativos que encantam desde o paladar e os olhos mais nobres e requintados, quando dos mais simples.


Na culinária nossa do dia a dia há flores que já de tão incorporadas ao cardápio, que nem tomamos consciência de que são flores: o brócolis, a alcachofra, a couve-flor, a flor de abóbora entre outras, usadas em saladas, sopas, omeletes, empanados e outros pratos, além dos chás, encontrados facilmente até em supermercados.

As flores podem fazer parte de sobremesas, geléias, tortas, biscoitos, pudins, sorvetes tornando a mesa mais atraente, além de serem usadas para aromatizar vinagres ou azeites; serem salpicadas em saladas e decorar cubos de gelos para refrescar bebidas e sucos.

Muito mais que beleza, sabor e requinte aos pratos, as flores comestíveis são nutritivas: normalmente são ricas em vitaminas A, C e do complexo B, tem baixo valor calórico e são ricas em água, além de características particulares de cada uma.

Mas nem todas as flores são comestíveis, e algumas até são venenosas. Cuidado ao criar novas receitas! De qualquer maneira, as flores cultivadas para uso comestível devem ser isentas de agrotóxicos, não podendo portanto serem as mesmas das floriculturas.

Por hoje, deixo aqui uma receita do livro Quitandas de Minas, receitas de família e história, compilada de um dos cadernos da minha avó Naná, mas que deve vir de muito longe, já que receitas de geleia com pétalas de rosas rodam o mundo desde muito... Volto com outras receitas e mais informações sobre flores comestíveis.


Licor de pétalas de rosas

½ litro de cachaça de boa qualidade
3 mãos cheias de pétalas de rosas
½ kg de açúcar

½ litro de água

Modo de fazer:

Limpar as pétalas com um pano seco. Colocar as pétalas em um vidro e cobrir com a cachaça. Tampar o vidro e deixar por 10 dias. Depois desse tempo. Fazer a calda com o açúcar e a água, tirando a espuma que se formar. Deixar ferver sem engrossar. Coar a infusão de pétalas de rosas e misturar com a calda. Coar numa garrafa usando algodão e funil ou coador de papel. Deixar descansar por mais alguns dias.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

+ inhame e a receita de Pão de queijo

Originário do sudeste asiático, o inhame (Colocasia esculenta) é cultivado desde a antiguidade, e por suas propriedades medicinais, tido como sagrado pelos orientais e povos mais antigos. Foi trazido para o Brasil ainda no período colonial das ilhas de Cabo Verde e São Tomé, pelos navegadores portugueses.

Dependendo da região varia de nome: no nordeste o cará é conhecido como inhame; no Sudeste, o inhame é completamente diferente do cará. Pelo mundo afora a nomenclatura também varia: taro, taró (espanhol, alemão, francês, russo), sato-imô (japonês), toran (coréia), kalo (no Havaí), callaloo, coco ou coco-yam (na Polinésia), ñame ou otoe na América Central, albi, (na Índia), malanga ou yautia (no Caribe), por isso pesquisadores sugeriram que o inhame passe a ser denominado como taro, nome mais usado pelo mundo.

Alimento energético, rico em fibras e Vitaminas A, B, C; cálcio, ferro, fósforo, magnésio, amido, betacaroteno, o inhame tem grande poder depurativo, é desintoxicante e anti-inflamatório além de combater os radicais livres. Fortalece o sistema imunológico, fortificando os gânglios linfáticos, combatendo infecções e tumores. Por isso é recomendado no tratamento de diversas doenças, como reumatismo, artrite, ácido úrico, sinusites, pleurisias, nevralgias, neurites, eczemas, inflamações de hemorróidas, apendicites, viroses e micoses.

O inhame pode ser utilizado na forma de cataplasma para tratar furúnculos, abscessos, quistos sebáceos, verrugas, espinhas insistentes, para retirada de farpas ou cacos de vidro que entram nas mãos ou nos pés, porque ajuda na cicatrização de feridas, eczemas, espinhas e até auxiliar a reduzir o inchaço e a dor após fraturas ou queimaduras; dizem que até mesmo para cuidar de unha encravada, o danado é bom.


Foi durante muito tempo empregado no tratamento contra sífilis. Acredita-se, ainda hoje, que seja recomendado na prevenção de doenças como dengue, malária e febre amarela e porque tem fitoestrógenos, é indicado para aumentar a fertilidade em mulheres, no tratamento da tensão pré-menstrual e para amenizar os sintomas da menopausa, além de estimular a libido. Mas há quem conteste, cuidado! . De qualquer forma, por ser um alimento barato e que rende muito, vamos aproveitar, porque alimemto natural ainda é muito melhor que o alimento industrializado.

A receita a seguir é uma das dez receitas do mais autêntico pão de queijo mineiro do livro Quitandas de Minas:

Pão de queijo com inhame

6 inhames de tamanho médio e cozidos
3 xícaras de polvilho doce
3 xícaras de queijo-de-minas ralado
3 colheres (sopa) de margarina
2 colheres (sopa) de iogurte natural
1 pitada de sal

Modo de fazer:

Numa gamela, espremer o inhame ainda quente. Juntar os demais ingredientes, amassando bem até a massa ficar homogênea. Fazer os pãezinhos e levar para assar num tabuleiro untado com margarina, em forno médio por aproximadamente 30 minutos.

Não tem erro! Além de deliciosa é mais nutritiva!



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Inhame

No meu tempo de criança, naquele casarão imenso, onde havia um quintal maior ainda, a gente colhia as frutas e quase tudo que se comia. Inhame era uma coisa que a Dinha Lete cozinhava sempre, porque era produzido ali mesmo e ela sabia o quanto era bom pra saúde. Normalmente era usado na sopa, ou cozido como um dos legumes do almoço. Não me lembro de gostar muito do inhame, mas de a Dinha Lete falar sempre o quanto aquele legume esquisito era super benéfico:


- limpa o sangue, menina, come! Engrossa as pernas e faz a gente ficar mais bonita!


(a Dinha também era muito vaidosa, olha ela aí com um "pega-rapaz")

O pé (ou moita) do inhame ficava no meio das taiobas (são da mesma família) e para diferenciar um do outro a gente escolhia as folhas que tinham uma pinta marrom no centro. Era a marca do inhame chinês, o mais saudável. Dai, cortar aquela moita e levar as batatas, a raiz. As folhas eram dadas para as galinhas, ou aos porcos, mas pode ser comida pelos humanos, preparada refogada ou cozida. Às vezes pica muito, como a taioba.

Lembro que havia uma moita grande perto do pé de jabuticaba, ao lado da pitangueira, lugar mais úmido e adubado do terreno. Ali perto eram jogados os restos orgânicos da cozinha. Pura sabedoria da teoria de Lasoivier: Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma sem saber que isso viraria campanha mundial pra salvação do planeta. (Foi de viver ali, naquele casarão, que aprendi a não desperdiçar, a reciclar, aproveitar tudo e mais um pouquinho, mesmo que aquela coisa não custasse nada.) Mais abaixo ficavam as bananeiras encostadas no muro da Tilinha, a vizinha de cima.


Vo
lto falando mais desse turbérculo nutritivo, mas já deixo uma receita de Pão de Inhame pra você experientar e não perder tempo achando o inhame esquisito, como eu achava.

Pão de Inhame

400 g de inhame cozido
800 g de farinha de trigo
15 g de fermento biológico
1 colher (sopa) cheia de açúcar
1 colher (sobremesa) rasa de sal
1 ovo
150 ml de iogurte integral
100 ml de leite integral morno
1/2 xícara de óleo de canola

Cozinhe o inhame, descasque e pique em pedaços pequenos. Bata no liquidificador, acrescentando cada um dos outros ingrediente aos poucos: o açúcar, o sal, o ovo, o leite, o iogurte, o óleo e por último o fermento.
Despeje essa mistura numa vasilha e vá ajuntando a farinha de trigo peneirada. Siga misturando até a massa ficar lisa. Faça os pães e deixe crescer por aproximadamente uma hora. Pincele com gema de ovo e leve ao forno para assar.


... no próximo post, mais dicas desse esquisitão...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Exposição Cores e Sabores


A exposição Cores e Sabores - Aquarelas na cozinha mineira - é o resultado do encontro da arte de ilustrar com o sabor temperado da cozinha mineira. Os artista desta mostra buscaram retratar a beleza das espécies mais utilizadas na culinária típica mineira, revelando formas e cores que povoam o nosso dia-a-dia e que muitas vezes passam despercebidas a um olhar menos atento.

Nas delicadas técnicas da aquarela e lápis de cor, traduziram livremente seu olhar sobre as espécies.

Quiabo, jiló, pimenta, tomate, abóbora e cebola, laranja e cenoura, alecrim e café... Tudo é encanto.

Sabor colorido que sai da mesa e ganha novos espaços, num encontro que pretende ser o primeiro de muitos outros, afinal, não há limites para esta deliciosa união.

Os artistas aquarelistas têm formação em Artes Plásticas, paisagismos e desing e experiência em ilustração científica e naturalista com espécies da fauna e da flora brasileira.


Nesta exposição reuniram algumas espécies da flora utilizadas na culinária típica ou cotidiana, presentes nas mesas das nossas famílias e dos tradicionais restaurantes mineiros.


de 18 a 29 de agosto de 2010
SESI - Centro Cultural Yves Alves
Rua Direita, 168 - Centro
Tiradentes - MG


As aquarelas expostas estarão à venda!!

sábado, 7 de agosto de 2010

Batata-doce

Existem cerca de 400 variáveis da batata-doce (Ipomoea batatas L.) que podem variar de aparência, aspecto, cor e até ficar com a “cara” da batata a que chamamos de inglesa.

Com base em análise de batatas secas encontradas em cavernas localizadas no vale de Chilca Canyon, no Peru e em escritos arqueológicos encontrados na região ocupada pelos Maias, sabe-se que esse nutritivo tubérculo é originário das Américas Central e do Sul e de seu uso há mais de 10 mil anos.

Cultivada em todo o mundo, hoje a maior produção se dá na Ásia, principalmente na China. No Brasil, há quatro tipos de batata-doce, classificados de acordo com a cor da polpa: batata-branca, (angola ou terra-nova) que tem a polpa bem seca e não muito doce; batata-amarela, parecida com a branca, de sabor mais doce; batata-roxa, com casca e polpa roxas, mais apreciada por seu sabor e aroma agradáveis, sendo ótima para o preparo de doces; e a batata-doce-avermelhada, conhecida no nordeste do Brasil como coração-magoado, tem casca parda e polpa amarela com veios roxos ou avermelhados.

Nutritivo e saboroso, esse tubérculo tem um sabor doce especial. É rico em vitamina C; a variedade roxa tem o betacaroteno que é antiviral, anticancerígena e antioxidante e, convertido pelo organismo em vitamina A, ajuda a combater o câncer. A batata-doce tem também alto teor de vitamina E, essencial para a saúde da pele e sais minerais como Cálcio, Potássio, Fósforo e Ferro, que por sua vez contribuem para a formação dos ossos, dentes e sangue. As fibras desse vegetal, concentradas especialmente na casca, ajudam a baixar o colesterol e melhorar a digestão.

Importante frisar que o antioxidante da casca da batata-doce, independentemente da sua cor, é três vezes mais elevada do que na polpa e suas folhas também são bem nutritivas e podem ser preparadas como qualquer outra verdura de folha.

sábado, 31 de julho de 2010

Bolo de Batata-doce


E para encerrar o mês de julho, deixo uma receita de um bolo super nutritivo e saboroso do Quitandas de Minas, receitas de família e histórias. Lá no livro está na página 57. A batata-doce tem boa safra o ano inteiro, mas preferencialmente de maio a julho. Você ainda pode encontrá-la facilmente pelas feiras da cidade. Aproveite!

Bolo de batata-doce


3 xícaras de batata-doce
2 xícaras de leite
200 g de margarina
1 xícara de maisena
2 xícaras de farinha de trigo
2 e ½ xícaras de açúcar
2 colheres (sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal
4 ovos

Bater a batata cozida e picada no liquidificador com o leite. Reservar. Bater as claras em neve com o sal e reservar. Misturar numa outra vasilha o açúcar com a margarina e as gemas, até formar um creme homogêneo. Depois, juntar a batata reservada, a maisena, a farinha e o fermento. Por último, misturar as claras. Levar para assar num tabuleiro untado e enfarinhado em forno médio, por aproximadamente 30minutos.


Volto falando dessa raiz super nutritiva, originária das Américas, mas que espalhou por todo o mundo.

domingo, 25 de julho de 2010

Tarta de Santiago


Dia 25 de julho é o dia de Santiago, ou São Tiago. E porque nesse ano cai num domingo, é considerado Ano Santo Compostelano, lá pelos Caminhos de Santiago.

Toda a Espanha está em festa e esse ano, ainda mais pela conquista do Campeonato Mundial de Futebol. Será que fui eu que dei sorte a eles, pelo post do dia de S. João? hahaha

Em 2001 percorri os mais de 800 km do caminho francês a Santiago de Compostela. Dessa peregrinação (ou aventura) acabei me transformando em escritora, com a publicação do meu primeiro livro Em busca de Cerejas, nas trilhas de Santiago de Compostela.

As vezes me perguntam se isso mudou minha vida. Mesmo não comungando com as ideias do "mago de plantão" não tenho como negar.

Acredito que toda viagem traz mudanças se a fazemos com os olhos abertos às novidades, se estamos "mirando el mundo con ojos de ninõs" e essa caminhada realmente ainda me rende alegrias.

Andando pelas terras españolas, posso garantir que por ali come-se muito bem.

Quando escrevi o Em busca de Cerejas, não imaginava que passado alguns anos iria recolher receitas nos velhos cadernos da minha avó e das tias para fazer o Quitandas de Minas, receitas de família e histórias, meu segundo livro.

Não pensava que ali começaria uma carreira mais fecunda com o mundo dos livros. Mas lá está a receita da Tarta de Santiago, o bolo mais típico da galícia, feita à base de amêndoas e vendida em caixas por toda a região. E aqui é o lugar de compartilhar. Então, ei-la:


Tarta de Santiago

1 ovo

125 g de farinha de trigo

125g de açúcar

1 colher (café) de canela em pó

Recheio:

1/2 kg de amêndoas moída

8 ovos

1 colher de canela em pó

raspas de limão

manteiga

açúcar para glaçar.

Comece fazendo a massa: Numa vasilha, bater o ovo com uma colher de água, a canela e o açúcar. Acrescentar a farinha de trigo progressivamente, sem parar de bater, até obter uma massa homogênea. Abrir a massa com um rolo. Untar uma forma redonda, com manteiga e estender a massa. Esperar.

Agora ao recheio: Bater os ovos com o açúcar, as raspas de limão. Quando estiver bem batido, acrescentar a amêndoa moída. Continuar batendo. Encher com esse creme a forma, já com a massa. Levar ao forno aquecido a 200º para assar. Verificar se está assada com um palito. Deixar esfriar. Para decorar, polvilhar açúcar e canela, com um molde da cruz de santiago. Servir em temperatura ambiente, acompanhada de um bom vinho.


É uma tarta maravilhosa de sabor, e tão fácil de fazer, vale a pena experimentar!


terça-feira, 20 de julho de 2010

Bolo de mexerica

A mexerica é uma das frutas mais populares nessa época. E é uma delícia, porque nesse tempo seco, aquela acidez meio doce e molhada dá uma sensação super gostosa.

Fim de semana, fui pra Congonhas e resolvi então fazer o Bolo de Mexerica. A turma toda esperou sair do forno. Foi a conta de fazer a foto. A mesa do café já estava pronta, a turma reunida... Adoro sábados á tarde com as tias todas à beira da mesa, jogando conversa fora, proseando.. enquanto o sol se poe lá fora... um friozinho chegando (ou não) ... anota ai a receita, não tem erro! Fica uma delícia!

5 mexericas
2 xícara de açúcar cristal ou mascavo
3 ovos
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 xícara de óleo
2 xícara de farinha de trigo
1 pitada de sal

Se quiser cobrir com calda, faça a calda com o suco de 5 mexericas misturando a 3 colheres de açúcar refinado.


Bata no liquidificador os ovos, o óleo e as mexericas picadas e sem sementes. Numa vasilha, misture a farinha de trigo, o açúcar e a pitada de sal e o fermento. Ajunte as duas misturas e bata bem até a massa ficar homogênea. Coloque em formas untadas com manteiga. Leva para assar em forno quente.


Como você pode notar, eu preferi não fazer a calda e te confesso, usei o açúcar cristal, mas preferiria usar farinha de trigo integral e açúcar mascavo.


De outra vez, vou fazer assim, mais saudável.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mexerica, tangerina, bergamota ...

A mexerica ou tangerina, pocan, bergamota, mandarina, mimosa, vergamota, tanja. São vários os nomes. Cientificamente é Citrus reticulata, que caiu no gosto dos brasileiros.

E... é tempo de mexerica! De maio a setembro a fruta é colhida com facilidade. E assim como a maioria dos cítricos, a mexerica surgiu na Ásia, chegou por aqui no século XIX e se adaptou muito bem à terra e ao clima brasileiro. O Brasil hoje é o quarto maior produtor mundial de mexerica, perdendo apenas para Espanha, China e Japão.

Nutritiva, são vários os benefícios para a saúde. As vitaminas A, C e do complexo B são responsáveis por estimulam o apetite, ajudar no crescimento e na fortificação dos nervos, reforçar o sistema imunológico, ajudando a prevenir o envelhecimento precoce.

Além desses a mexerica tem sódio,cálcio, potássio, ferro, fósforo e magnésio. Saborosa e suculenta, a mexerica é conhecida por seu efeito diurético, já que possui bastante água, e por seu efeito digestivo, por ser rica em fibras: regula o intestino. Também
previne cálculo renal, combate tumores e a arteriosclerose. Cada fruta tem cerca de 40 calorias e deve ser consumida com o bagaço. Pode-se aproveitar a casca para a produção de doces e geléias, que também é rica em vitaminas.


hum.. mexerica é bom demais... eu volto com receitas deliciosas e fáceis...



terça-feira, 6 de julho de 2010

Arroz doce com maracujá


Receita tradicional nos cadernos de família, o arroz doce ganha toque de sabor diferenciado com a inclusão do maracujá. Essa receita tirado do livro de receitas da Secretaria de Abastecimento do Governo de S. Paulo, que foi publicada com intenção de promover uma alimentação saudável e sem desperdícios.


1/2 xícara de arroz

3 xícaras de água
1 xícara de suco de maracujá
3/4 de xícara de açúcar
2 xícaras de leite
canela em pó para polvilhar


Depois de lavar o arroz , colocar numa panela e juntar duas xícaras de água. Cozinhar em fogo baixo até a água evaporar totalmente. Numa outra vasilha, misturar o suco de maracujá com uma xícara de água e o açúcar e adicionar ao arroz. Juntar o leite e seguir cozinhando em fogo baixo, mexendo de vez em quando com uma colher de pau, até o arroz ficar macio e formar um creme. Polvilhar a canela e mexer bem. Despejar num refratário de vidro ou distribuir em taças individuais. Levar à geladeira. Servir gelado, decorado com sementes de maracujá e canela.


Não tem erro. É uma delícia como sobremesa, testada e aprovada pela família.