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quinta-feira, 24 de junho de 2010

um pouco de literatura


24 de junho é dia de São João, e tem festa junina por todo o Brasil, e até pelas terras ibéricas que foi por onde elas chegaram aqui: pular fogueira, quentão, pé de moleque, canjica, pipoca, brincar, arranjar namorado e até casar. Festa ancestral e ritualística, muito bem aproveitada popularmente, mas vou aqui contar outra história.
Há exatos 12 anos, era LUA NOVA e eu estava em Paris, em plena Copa do Mundo de Futebol. Conheci um moço que julguei especial. Eu estava com o coração livre, ele se colocou interessado, disponível. O Cupido atacou. E, não deu outra: me apaixonei.

Conversa vem, conversa vai, já faz tempo que não o vejo: muita água passou debaixo da ponte: virei a minha mesa, mudei de profissão, conheci muita gente, fiz vários amigos, publiquei dois livros (já quase três), viajei bastante, fiz um montão de coisas bacanas, inclusive esse blog, que foi sugestão do tal.
Então, estava eu procurando uma receita especial para deixar para esse moço e achei esse conto, de Ivana Arruda Leite, publicado no livro Falo de mulher. Ateliê, 2002 . Não é uma quitanda, mas vale para celebrar a data, as coisas, os feitos, as palavras e as decepções. Vixe! E foram muitas. Se pelo menos rende literatura, não posso reclamar. É lucro na certa! E o melhor é poder compartilhar.


"Receita para comer o homem amado:

Pegue o homem que a maltrata, estenda-o sobre a tábua de bife e comece a sová-lo pelas costas. Depois pique bem picadinho e jogue gordura quente. Acrescente os olhos e a cebola. Mexa devagar até tudo ficar dourado. A língua, cortada em minúsculos pedaços, deve ser colocada em seguida, assim como as mãos, os pés e o cheiro-verde. Quando o refogado exalar o odor dos que ardem no inferno, jogue água fervente até amolocer o coração. Empane o pinto no ovo e na farinha de rosca e sirva como aperitivo. Devore tudo com talher de prata, limpe a boca com guardanapo de linho e arrote com vontade, pra que isso não se repita nunca mais. "

E ponto final!

(a foto é do restaurante Chez Clémant -Porte de Versailles- em Paris, na época, toda decorada com balaios e mais balaios de cerejas in natura, uma maravilha. Por ali a gente passava todo dia, era o "caminho da roça". O tal moço dele estar, por essas horas, lá pelas terras de Mandela, já que segue na mesma lida)

domingo, 21 de junho de 2009

junho: tempo de festas e quitandas, hummm

A tradição de festas juninas vem de muito tempo. Na Antiguidade cultuavam a deusa Juno, mulher de Júpiter, da mitologia romana, cujos festejos eram denominados junônias. Daí o atual nome festas juninas. No hemisfério norte junho marca o fim da primavera e a chegada do verão. O dia 21 -Solstício de Verão- é o dia mais longo do ano.
Celtas, bascos, egípcios e sumérios, faziam rituais de invocação da fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, prover a fartura nas colheitas e trazer chuvas. Nessas festas, ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos.

A Igreja Católica se apropriou dos costumes antigos e os adaptou conforme o calendário suas crenças e seus santos: Santo Antônio dia 13 , São João dia 24, São Pedro e São Paulo dia 29.

No Brasil, os jesuítas portugueses trouxeram as festas, mas curiosamente aqui os índios já realizavam rituais de canto, dança e comida relacionados à agricultura. E o quê se produzia aqui? - mandioca, inhame, batata-doce, cará, abóbora, abacaxi. Também era época da colheita do milho, do feijão e do amendoim. Tudo que a gente usa até hoje nas festas juninas... Êba!

Então, depois de tanta explanação, mais uma receita de Pé de moleque, essa copiada do caderno de receitas da Dinha Lete e tida pela família como original, porque sem leite condensado, que na época dela, menina de fazenda, nem existia. E claro, essa receita também está no livro Quitandas de Minas, receitas de família e histórias.


Pé de moleque


2 rapaduras
1 kg de amendoim inteiro, torrado e sem casca

Modo de fazer:

Colocar num tacho de cobre as rapaduras picadas com um pouco de água e deixar até derreter. Ferver até o ponto de bala. Para tirar o ponto, pingar um pouco da calda em um pires com água fria. Procure juntar a calda com os dedos. Se você conseguir ajuntar a bala com os dedos, formando uma bala mole, está no ponto. Ai, é só colocar o amendoim e bater bastante até clarear um pouco. Espalhar pouca farinha de mandioca na pedra umedecida. Virar o doce espalhando-o. Cortar antes de esfriar. E... hummm, ai é só comer...