domingo, 3 de abril de 2011

Pão de ló de laranja


Minha avó Naná, que foi professora e diretora de grupo escolar, de vez em quando resolvia ir pra cozinha, inventar alguma coisa diferente, especial. Normalmente isso acontecia quando estava para chegar algum parente, ou quando havia alguma celebração na igreja e muitos padres vinhas para a cidade.

No interior de Minas a religiosidade sempre foi muito forte e vovó era do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus e usava uma medalha e fita vermelha nas rezas e festas religiosas.

Mas isso é já outra história. Lembro que ela
gostava de fazer um saboroso pão de ló de laranja.

A origem do pão de ló é desconhecida, mas chegou aqui, na certa, com os portugueses. Lá em Portugal existem variedades diferentes de pão de ló e que acabaram se tornando símbolos de várias regiões: em Alfeizerão, freguesia de Alcobaça o pão de ló é considerado ex libris.


Em Ovar, cidade próxima a Aveiro, a tradição do pão de ló é refenrenciada no livro Os passos de autoria do Padre Manuel de Oliveira Lírio "
Em 1781, são obsequiados com Pães de Ló de Ovar, os Padres que levaram o andor na procissão dos Passos. Arquive-se como documento, a antiguidade desta guloseima." Outras regiões também são famosas por seus pães de ló. Por lá existe ainda uma receita de pão de ló à brasileira, diferente das tradicionais, por levar menos ovos.

Dizem que foram portugueses que levaram ao Japão ainda no século 16 a receita do pão de ló, que é conhecida por lá como Pão de Castela e essa deu origem a um dos doces mais típicos do Japão, o Kasutera. A receita japonesa é feita de mel e o nome faz referência à castelo, por causa da clara que é batida até ficar "alta como um castelo"

No Quitandas de Minas, receitas de família e histórias tem duas receitas à página 104, uma mais simples e essa que deixo aqui para você.

Pão de ló de laranja


6 ovos
2 xícaras de caldo de laranja
2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de amido de milho
2 xícaras de açúcar refinado
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (chá) de essência de baunilha


Modo de fazer:

Bater as claras e colocar o açúcar aos poucos, batendo sempre, até o ponto de suspiro. Colocar as gemas, uma a uma e continuar batendo. À parte, juntar a farinha de trigo, o amido de milho e o fermento. Acrescentar os ingredientes secos aos poucos na massa, junto com o suco de laranja e mexer delicadamente. Por último, colocar a essência de baunilha. Untar o tabuleiro com manteiga e polvilhar. Levar ao forno por 20 minutos. Caso queira, colocar um glacê de calda de laranja, no bolo ainda quente.

5 comentários:

  1. Era especialidade da minha mãe... Comi horrores!

    ResponderExcluir
  2. Minha mãe, Cidinha, fazia um pão-de-ló que era (é) uma delícia. Uma coisa interessante é que nunca deu errado quando fiz (o que só me atrevi depois que ela desencarnou...). Fica sempre muito bom.
    Aí vai:
    6 ovos
    2 xícaras de açúcar
    2 xícaras de farinha de trigo
    11 colheres de laranja
    1 e ½ colheres de sopa de fermento
    Raspa de limão ou laranja
    Bater as gemas com a laranja (até que a mistura fique de um amarelo bem clarinho). Adicionar a o açúcar e o limão, depois a farinha de trigo e o fermento. Bater bem. Misturar, na mão, as claras em neve.
    A propósito, Rosaly, adorei seu blog!
    Bjin,
    Cristina (filha da Cidinha, prima da sua avó Dinorah).

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Oi Cristina, prima querida! Essas nossas receitas dão sempre muito certo, porque trazem as histórias de nossas mães e avós. Esse blog é uma forma que arranjei de mantê-las muito vivas. E dividir as coisas que elas nos deixaram com tanto amor. Você também deve ter receitas deliciosas. Volte sempre, compartilhe! Saudades

    ResponderExcluir
  5. mineiro que estou exilado na italia...sinto cada vez mais a falta que faz esta comidinha mineira...baodemais. Parabens rosaly este resgate e fundamental para preservar nossa fantastica cultura brasileira, e mineira, uai. inte. fernando

    ResponderExcluir

palpite, comente, deixe sua receita, conte sua história: