segunda-feira, 13 de junho de 2011

Bolo ! O bolo


Você que acompanha esse blog já percebeu que sou adepta de produtos naturais, colhidos no quintal, e seus derivados: doces, bolos, biscoitos, cremes, mingaus, geleias... tudo feito em casa, com aquele ingrediente especial e variável que é a SUA maneira de preparar a receita, a partir das receitas que recuperei nos cadernos de família, receitas de mais de 100 anos!

Pois bem! Também sou uma pessoa dada aos livros, gosto de poesia, contos, crônicas ... Lendo o livro Meio intectual, meio de esquerda. de Antônio Prata, encontrei essa crônica, já publicada na net, que de uma maneira muito bem humorada explica o por quê da existência do Quitandas de Minas (livro e blog). O livro do Antônio Prata reúne outras crônicas hilárias. Vale a pena buscar o livro e se deliciar!



" Time is honey!

Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um antibolo.

Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito).

O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.

Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas.

Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo.

É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos. A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.

Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora."


falô e disse Antônio... Ainda vou tomar um café na sua casa, mas o bolo eu faço e levo, com prazer! Pode ser?
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Importante dizer: O bolo de cenoura da foto foi feito pela minha irmã das cenouras colhidas no sítio da minha mãe, que ela mesma plantou. A foto é de Pacelli Ribeiro, especialmente para o Quitandas de Minas, receitas de família e histórias, publicado pela Autêntica Editora.

4 comentários:

  1. Hola,

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    Atentamente,

    Vincent

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  2. Olá Rosaly, assim como um bolo fumegante que adoça e alegra a nossa vida o seu bog dulcificou o meu início de noite. Me senti na sua cozinha, que é o coração da casa de um bom mineiro.
    Sou de Viçosa e estou morando no interior da Paraíba e como uma boa ufanista mineira fico louca com qualquer coisa que me lembre o nosso amado estado.
    Abraços e obrigado por manter um canto tão agradável na internet.
    Cida

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  3. Beleza de texto. E que sabor!

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  4. Bolo é carinho sim e o pão de queijo tem mesmo o gosto de uma reunião de família mineira... com um cafezinho então...

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