Mostrando postagens com marcador corn. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corn. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de março de 2010

A pipoca

A pipoca é filha do milho, todos sabemos.

E, entre livros e panela, literatura e coisas da cozinha sempre fizeram um belo par, um casal perfeito. Como me disse Nélida Piñon, os personagens sempre têm fome, por isso encontramos tantos banquetes nos romances, ou personagens à beira da morte por não comer, como em Vidas Secas de Graciliano Ramos.

Rubem Alves nos brinda com um belo texto a partir da pipoca. É um texto longo, em se tratando de blogs, mas vale a pena.
Curta-o:

"As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

Texto de Rubem Alves, publicado no jornal Correio Popular, de Campinas- SP


segunda-feira, 1 de março de 2010

Bolo de Milho Verde

Essa receita está na página 68 do livro Quitandas de Minas, receitas de família e histórias, junto com mais umas tantas receitas que têm o milho como ingrediente principal. Lá no livro tem receitas de pamonha, broas, bolos, minguau, de canjica... montão. Deixo uma aqui pra você. Depois você vai ao livro e escolhe outras, tá.

Tão tá! ;-)

Bolo de Milho Verde

6 espigas grandes de milho verde
2 xícaras de leite
2 colheres (sopa) de manteiga derretida
2 xícaras de açúcar
4 ovos
1 colher (chá) de canela
1 colher (sobremesa) de fermento em pó

Modo de fazer:

Cortar as espigas e moer os grãos no liquidificador com um pouco de leite. Passar pela peneira. Juntar os ovos, o açúcar, a canela, a manteiga, batendo até ficar uma mistura homogênea. Acrescentar o fermento. Colocar num tabuleiro untado e levar ao forno por aproximadamente em 40 minutos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Algumas curiosidades sobre o milho


A partir do levantamento da cientista de alimentos Maria Cristina Dias Paes, publicado em 2006 pela Embrapa Milho e Sorgo, tem-se notícia de que apenas 5% da produção do milho é destinada ao consumo humano.

Foram encontrados outros 74 produtos derivados do milho alguns inusitados ou inesperados. Repare só: filmes fotográficos, cerveja, giz para quadro negro, margarina, mostarda, maionese, ketchup, iogurtes, congelados, sorvetes, refrigerantes, tintas latex, tecidos, papel, substitutos da borracha, sabão, álcool, algumas guloseimas como barras de caramelo ou chocolate, pastilhas tipo chiclete, e um grande número de aperitivos são feitos à base de milho. Os detergentes da máquina de lavar têm na sua composição um ácido cítrico derivado do milho. Até a pólvora sem fumaça, cola para selos e envelopes e... pasme: anticorpos humanos são produzidos a partir do milho.

O Dr. Kevin Whaley e seus colegas da Universidade Johns Hopkins conseguiram modificar geneticamente o milho para funcionar como contraceptivo uma vez que a planta pode produzir uma proteína que mata o esperma. Essa é uma descoberta capaz de revolucionar o controle da natalidade. "Estamos prevendo que o produto será aplicado no local, em lubrificantes sexuais. Vai ser algo que as mulheres poderão aplicar muitas horas antes do coito e terá eficácia por um período de 12 a 24 horas”

Algumas dicas de uso do milho, esse multialimento:

- O chá da “barba do milho” é um poderoso diurético, ajuda a baixar a pressão e a desintoxicar o sangue, em afecções da bexiga e dos rins, em casos de cistite, areia e dores ao urinar, retenção de urina, inchaço nas pernas e nefrite.

- O suco do bagaço é aproveitado para a produção de um xarope rico em açúcares necessários ao desenvolvimento das crianças.

- O óleo de cozinha de milho em sua cozinha garante de 25% a 30% da gordura necessária em uma dieta diária.

- Para fazer pipoca, use o máximo de milho e o mínimo de óleo ou manteiga.

Quando comprar milho verde cuide de guardá-lo sem casca e sem cabelo, na gaveta de verduras da geladeira, ai ele se conserva por até 10 dias. Grãos soltos devem ser guardados em recipientes bem fechados, em salmouras e para maior tempo de conservação é recomendável guardar no congelador.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Milho, um pouco de história


O ancestral do que conhecemos como milho foi encontrado nas regiões montanhosas do sul do México, no vale do Tehucan e norte da Guatemala, por volta de 7.000 a.C. e era chamado pelos povos dali por teosinte. O Teosinte ainda é encontrado na América Central e tem um aspecto um capim de aspecto vulgar e sem utilidade.

Transformado e desenvolvido radicalmente, o milho vem acompanhando o desenvolvimento do homem, inclusive com cunho religioso. O alimento dos deuses, como era chamado pelos maias, deu origem ao milho por meio de um processo de seleção artificial.

Muito usado pelos incas, maias e astecas, o grão foi a base da alimentação dessas sociedades e todas as atividades eram feitas em função de seu plantio.

Com as grandes navegações e a descoberta da América, e depois pela facilidade de cultivo, o milho ganhou o mundo. A partir de 1493 causou entre os botânicos na Europa. Lá ganhou o nome de zea mays, do grego zeia que quer dizer grão, cereal, em homenagem aos povos Maias da América.

Volto com mais notícias sobre esse super alimento, e não só isso.. Você verá...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Propriedades do milho

O milho é um dos três cereais mais consumidos na alimentação humana, sendo um alimento tradicional da dieta de vários povos, principalmente os latino-americanos, descendentes dos maia, asteca e inca.

É rico em carboidratos, essencialmente o amido, o sendo pois um alimento energético. Outros importantes nutrientes estão presentes, como os lipídios, as proteínas, as vitaminas, com destaque para a B1, a B2, a vitamina A e o ácido pantotênico, além dos minerais: fósforo e potássio.

Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras, ponto para o milho!

Pode ser consumido nos vários estágios de sua maturação, desde bem macio e verde, até bem maduro: moído (fubá), socado, quebrado, como componente para a fabricação de balas, biscoitos, pães, chocolates, geléias, sorvetes, maionese e até na cerveja.

E além disso tudo tem uma vantagem sobre os outros cereais, por não conter glúten, é ótima opção para portadores da doença celíaca, podendo ser usado sem problemas na fabricação dos pães, bolos, etc.

--------------
por enquanto é só, mas eu volto com mais histórias e mais receitas...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sorvete de milho verde

Ai que calor!!! Quem duvida que o planeta está esquentando, bote a mão no fogo, ou jogue a primeira pedra...

E como estamos em janeiro, mês de maior produção do milho, começo aqui com uma receita de sorvete de milho verde, que não é quitanda, mas com esse calorão refrescar só faz bem.

A receita retirei de um Manual de Aproveitamento de Alimentos, produzido pelo governo do Estado de São Paulo. O estado do Paraná é o maior produtor de milho, apesar dele ser produzido em quase todo o Brasil. O milho tem duas principais safras anuais, apesar de ser muito fácil encontrar o milho verde durante todo o ano.

Sorvete de Milho Verde:

5 espigas de milho verde cozidas
1/2 xícara de água
2 xícaras de leite
2 claras em neve
açúcar, quanto queira


Para fazer: Cortar os grãos do milho e bater no liquidificador juntamente com a água, o leite e o açúcar. Bater muito, para aproveitamento integral do milho. Colocar numa panela e levar ao fogo brando, mexendo bem até engrossar. Retirar do fogo e acrescentar as claras batidas em neve, mexendo até que esteja bem incorporada ao creme. Esperar esfriar e levar ao congelador por umas duas horas, pelo menos. Fica uma delícia e cada 100g tem aproximadamente 160 calorias!

----------
volto com mais Milho, esse sagrado alimento!