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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pé de moleque

Pé de moleque

Junho é tempo de fogueira, quentão, quadrilha, broa de fubá, barraquinhas, canjica, pé de moleque, casamento na roça... as festas de São João, São Pedro e Santo Antônio, o santo casamenteiro, uai!


Ainda vou contar aqui a origem dessas festas, que vem de longa data, bem antes da chegada dos europeus pelas terras brasileiras. Mas isso fica para outro momento. Agora vou contar como esse pé de moleque da minha mãe ganhou fama internacional, ops, -modéstia é bom e faz parte, fama inter-estadual.

Sempre que ia a São Paulo encontrar a turma do Vozes levava esse pé de moleque, que minha mãe fazia especialmente. A turma fazia tanta festa que ele, o pé de moleque, acabou chegando aos estúdios da rádio Eldorado, para a Patrícia Palumbo e sua equipe e aos camarins dos artistas que viraram nossos amigos Ná e Dante Ozzetti, Ceumar, Alice Ruiz, Alzira Espíndola e muito mais gente!!!


Acabei fazendo da Giovanna Tucci pombo correio para levar um pacotinho para a PP (já que a Eldorado é no mesmo prédio do Estadão), depois da bela cobertura que ela fez do Festival da Quitanda e que você viu no caderno Paladar do Estadão.




Bom, a receita da minha mãe é essa:


2 rapaduras
2 latas de leite condensado
1 kg de amendoim inteiro, torrado e sem casca.
1 colher (sopa) de manteiga

Modo de fazer:

Colocar num tacho de cobre as rapaduras picadas com um pouco de água e deixar até derreter. Mexer e ir acompanhado o ponto. Quando estiver no ponto de bala mole (pingar um pouco da calda em um pires com água fria. Juntar a calda com os dedos. Se o fizer com facilidade, formando uma bala mole, está no ponto).


Juntar o leite condensado e deixar ferver mais um pouco. Juntar o amendoim e bater até quase açucarar. Virar numa pedra mármore úmida, para não grudar. Cortar antes de esfriar.

E depois, comer e comer.. ai que delícia!!!

quarta-feira, 18 de março de 2009

minha história de menina rapando tachos - final

Começo e termino o post de hoje com foto dessa turma - A turma do Vozes - que de uma forma super legal, acabou me "jogando na cozinha". Com esses cidadãos do mundo, porque vivem em São Paulo, resgatei o melhor da infância: a casa grande do interior, a cozinha, as brincadeiras todas, a gargalhada solta e o viver com prazer. Eita turminha boa!



Mas olha como são as coisas, e como os amigos estão sintonizados. Eu já ia chegar na parte dos doces de corte e as comadres Cíntia e Junelise resolveram aproveitar o tempo das goiabas, e das águas de março, fechando o verão, como diz a canção e mandar suas receitas de goibadas. Pura delícia!


Mas eu tava contando minha história de menina rapando tachos e essa é última parte:

Fui criada rapando tacho e até arrombando caixas de “doces de corte”. Ah! sim, os doces de corte, ou pastosos, eram colocados em caixas de madeira medindo cerca 25 centímetros de largura por meio metro de comprimento; forradas com papel impermeável e, fechados com uma tampa de correr. Na medida da necessidade, os pedaços iam sendo tirados e colocados em pratos, que iam para mesa, aos domingos, depois do almoço especial ou quando chegavam as visitas. Eu, moleca, formiga doceira, tirava o doce a colheradas, pela parte de trás. Para quem não conhece muito bem o ponto do doce de colher, é assim: quando ao mexer se começa a ver o fundo da panela, ainda um pouco mais mole que para o doce de cortar. É quando a massa começa a se desprender do fundo da panela, esse é o ponto de colher.



Um dia pegaram uma caixa de bananada já pela metade, só com marcas das minhas colheres! Na certa sabiam quem era. Com tanta fartura, só ganhei uma advertência, um pito rápido!

- Não faça mais isso. A gente pensa que ainda tem e já acabou!

As receitas que apresento no Quitandas de Minas, receitas de família e histórias são coletâneas de cadernos de receitas de amigas, das tias e das tias-avós, sempre do lado materno, algumas recolhidas de folhas soltas pelas gavetas da casa de minha mãe e tias e principalmente dos cadernos da minha avó Naná (Dinorah de Oliveira Senra) e da Dinha Lete (Celeste de Oliveira).
Elas tinham cadernos diferentes. Minha avó, a dona da casa, era professora e tinha o caderno esmerado, com a mesma letra caprichada, mas na hora que precisavam mesmo de uma boa receita era ao caderno da Dinha Lete que recorriam: receitas de todo jeito, com letra de todo mundo. Dinha Lete não era amante das letras, sabia as receitas de cor e só anotava as novidades, as variações. Normalmente pedia alguém que anotasse, porque ela sempre estava com a mão cheia de gordura, tirando tabuleiro do forno, mexendo uma panela, picando uma verdura ou pegando alguma galinha para fazer um guisado. Algumas dessas receitas aparecem em quase todos os cadernos, já que a troca de receitas era comum entre elas.

Sexta-feira era dia de fazer a quitanda, os biscoitos, sequinhos, que iam para a lata. No sábado era o dia do bolo, da broa. Domingo minha mãe passava ali para o café da noite, sempre depois da missa das sete, com a penca de meninos: Renato, Raquel e Regina, pequenininha, ainda no colo. Eu não ia, era ali, naquele paraíso que eu morava.

Essa minha história é um pouco da história de todos os mineiros crescidos no interior, com as tradições, os costumes e as manias desse povo. Há muito moro na capital, Belo Horizonte, cidade grande, cheia de progressos e provincianismos (contraditório e complexo ao mesmo tempo).
Carrego as lembranças de um modo de vida já um tanto raro nesse mundo cibernético. Tenho um grupo de amigos, internautas paulistanos, na maioria, mas também de outras partes do mundo, que, quando me apresentei como uma “mineira”, logo me pediram receitas de doces, de quitutes e quitandas das Minas Gerais.
O Quitandas de Minas, receitas de familia e histórias é um presente a eles e a todos os brasileiros que querem conhecer mais um pouco do interior simples, da magia das conversas ao lado do fogão a lenha, dos mistérios das montanhas. Como tal, serve para reafirmar o jeito mineiro, tão peculiar e tão querido e tão nosso.