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quinta-feira, 2 de julho de 2009

milho é tão nutritivo, que a gente tem que aproveitar


Lá em casa sempre teve alguma coisa de milho, fubá, pipoca, tinha milho pra dar às galinhas, a Dinha fazia broa toda semana, e tinha também o bolo, um milho cozido, que saudades da Dinha... E depois que a Carmem falou pra Giovanna que o cubú, que também é de milho, é forte e sustenta e que na casa dela todos foram criados comendo cubú, fiquei mais fã ainda do milho!


Então, aproveitando a onda das festas juninas, segue uma receita que também está no Quitandas de Minas, receitas de familia e histórias (até porque, histórias aqui é o que não faltam) de milho, claro:


Bolo de fubá caipira

3 xícaras de fubá (de preferência daquele que você viu sendo moído, que você sabe de onde veio)

1 xícara de farinha de trigo, (que pode ser integral)

3 ovos inteiros, (caipira também, com a gema bem amarela)

2 xícaras de açúcar,

1 pitada de sal,

2 xícaras de leite,

1 colher (sopa) de fermento em pó,

erva-doce moída.

Modo de fazer:

Ferver o leite junto com a erva-doce e deixar esfriar. Numa vasilha, misturar os ovos, o açúcar e o sal, e, aos poucos, farinha com o fermento e o fubá. Colocar numa forma untada, levar ao forno bem quente por aproximadamente 40 minutos.


domingo, 28 de junho de 2009

Pamonha

Nos anos 80 eu frenquentava com muita assiduidade as cidades de Goiás, especialmente Goiânia, onde tinha uma turma animada, produtiva e divertida. Éramos todos estudandes e tinha amigos das áreas de arquitetura, biblioteconomia e medicina e virava e mexia estávamos nas pamonharias. Sempre gostei de produtos do milho, mas é de Goiânia minha maior lembrança da pamonha. Infelizmente daquela minha turma, que reunia Maria, Dênis, Cristina, Fred, Débora, Shell, Maristela, Caiinho, Maíra, Marilda, a turma do Martin Cererê, já não sei de mais ninguém. Essa turma deixou saudade e boas recordações, e o gosto pela pamonha e pelos versos de Cora Coralina.


Acredita-se que a origem da pamonha remeta ao tempo dos escravos, assim como a canjica e outras receitas de milho, mas pode ser que a pamonha tenha chegado até nós na misturas da culturas dos índios, negros e também com as tradições portuguesas de celebrar as festas juninas.



Esta receitas está no Quitandas de Minas, receitas de famíla e histórias, mas lá há outras variações também, para você conferir.

Pamonha doce

12 espigas de milho verde

1 xícara de açúcar

1 xícara de leite-de-coco

Modo de fazer:

Escolher as espigas mais macias. Descascar o milho, reservando as palhas mais bonitas para embrulhar as pamonhas. Ralar as espigas e bater no liquidificador, junto com o açúcar e o leite-de-coco. Fazer as trouxinhas com as palhas reservadas e acomodar a massa. Cozinhar em água fervente por uma hora, escorrendo em seguida.

Obs: O segredo é saber amarrar as espigas para que a massa fique lá dentro. Elas também podem ser costuradas, em forma de saquinhos, mas o amarradinho dá um charme à pamonha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Milho


E hoje é dia de São João, dia de pular a fogueira, dançar quadrilha, comer milho assado, canjica, pipoca, pamonha, cubu, (hummmm quanta delícia feita de milho!!) ...


... continuando o papo sobre as delícias das festas juninas, um dos principais ingredientes nessas iguarias tradicionais é o milho...

O milho é um dos três cereais mais consumidos na alimentação humana, constituindo um alimento tradicional da dieta de vários povos, principalmente os descendentes das civilizações asteca, maia e inca, que o reverenciam em rituais artísticos e religiosos. Os primeiros registros do cultivo desse alimento foram descobertos em pequenas ilhas do litoral mexicano e datam de cerca de 7.000 anos.


O nome do cereal (corn en inglês e maíz en espanhol, mais em alemão), de origem caribenha, significa o sustento da vida. Dificilmente se encontra um alimento que tenha tantas utilidades e seja presença tão constante no dia-a-dia de grande parte da população mundial.

O milho é rico em carboidratos, essencialmente o amido, o que o caracteriza como alimento energético, mas outros importantes nutrientes estão presentes, como os lipídios, as proteínas vitaminas, com destaque para a B1, a B2, a vitamina A e o ácido pantotênico, além dos minerais: fósforo e potássio.

Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras.

Pode ser consumido nos vários estágios de sua maturação: moído (fubá), socado, quebrado, como componente para a fabricação de balas, biscoitos, pães, chocolates, geléias, sorvetes, maionese e até na cerveja. Na fabricação dos pães é opção para portadores da doença celíaca por não conter a proteína glúten.


E onde você vai pular fogueira???

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quitandas na CBN - Rio

Logo após o lançamento do Quitandas de Minas em BH, conversei com o repórter Maurício Martins da CBN do Rio de Janeiro. Foi um papo descontraído bem na hora do lanche.

O Maurício, lá do Rio, quase saiu do estúdio direto para vir tomar um café bem mineiro, com todo mineiro gosta, com bastante quitanda.

Para você acompanhar nosso papo, eu deixo aqui o link:



http://cbn.globoradio.globo.com/programas/show-da-noticia/2008/09/13/AUTORA-LANCA-LIVRO-DE-RECEITAS-COM-DELICIAS-DA-COZINHA-MINEIRA.htm

sábado, 23 de maio de 2009

... o Cubu da Carmem atravessou Minas Gerais...

Saiu no caderno Paladar do jornal O Estado de S. Paulo, dessa quinta-feira, 21 de maio, uma matéria super bem feita da jovem e simpática repórter Giovanna Tucci.

Ela apareceu por Congonhas querendo saber tudo, conhecer todo mundo, falar com todo mundo e tomar aquele nosso cafezinho da hora em cada casa que chegava. E ai dela se recusasse, rs rs rsrs... De quebra, chupou mexerica apanhada no pé, viu tucano doméstico comer na mão da Florips, riu com o berreiro da siriema do Roberto, assistiu o nascimento de nove porquinhos na casa do Zezeca, se deliciou com uma galinha caipira preparada especialmente pros convidados.

Como ela foi duas vezes na casa da Carmem, acho que até aprendeu a fazer o cubu, que a Carmem faz como ninguém.

A receita está nas páginas do Paladar, mas também está no Quitandas de Minas e eu deixo aqui pra você, que gosta do blog:



Cubu - Maria do Carmo Santos Costa, São Brás do Suaçui – FOTO

D. Maria do Carmo, conhecida por Carmem, leva os cubus e outras quitandas, todo sábado, para a feira de Congonhas. Também é uma participante ativa dos Festivais de Quitanda da cidade. Essa receita, como está, foi ditada durante uma das feiras de sábado.

2 kg de fubá
1 kg de farinha de trigo
2 litros de coalhada
1 e ½ kg de açúcar
6 ovos
½ kg de margarina
250 g de gordura de coco
cravo
canela
erva doce
2 colheres (sopa) de bicarbonato
1 pitada de amor

Modo de fazer:

De véspera, cortar as folhas mais tenras da bananeira, lavar e cortar no tamanho para enrolar os cubus.

Numa bacia ou gamela, colocar o fubá, e a margarina. Numa vasilha à parte, colocar a gordura para esquentar ao fogo. Depois de quente, despejar sobre o fubá e a manteiga. Misturar bem. Antes que essa massa esfrie, juntar o açúcar, o sal e a farinha, misturando bem. Juntar a coalhada e reservar. Depois, juntar os ovos e bater, misturando tudo. Deixe descansar mais um pouco. Na hora de enrolar, juntar o cravo, a canela, a erva-doce e por último o bicarbonato. Para colocar para assar, tirar a massa com uma colher grande de arroz, e embrulhar nas folhas de bananeira. Levar para assar em forno quente.


E no Paladar, Giovanna fala da Carmem: "Ela estava exultante porque Rosaly Senra, autora de Quitandas de Minas, escolheu uma foto sua para ilustrar o livro, "entre tanta gente grã-fina...". E de novo sorri com o biquinho. Uma xícara de seu café coado e uma rosquinha de amendoim coberta de açúcar furtada do tabuleiro com outras dezenas de rosquinhas que secavam ao sol. Isso, Carmem, é luxo. " e eu concordo. Luxo é você Carmem!

E que essa hora (sábado, quase 12h30) já está recolhendo as suas latas e balaios, da feira de Congonhas, já vazias, para voltar para sua bela S. Brás do Suaçui.

domingo, 17 de maio de 2009

Lançamento do livro Quitandas de Minas em Congonhas

... tô cansada, mas aquele cansaço feliz! A festa, como prevista, foi sucesso absoluto!

Cheguei em Congonhas na sexta-feira, e fui direto para a Radio Congonhas, onde falei no Programa Participovo, conduzido pelo De Miranda e mais ouvido da cidade. Miranda é das antigas, tem credibilidade e faz um programa muito polêmico, mas nem sempre: faz utilidade pública, noticia abusos na adminstração municipal, levanta a bola pra quem precisa. Falei do Quitandas de Minas, o livro. Ele relembrou meu primeiro trabalho publicado: Aleijadinho e a cidade dos profetas, do qual foi da comissão organizadora.

Logo depois recebi o telefonema da repórter do caderno Paladar, do jornal Estado de S. Paulo, Giovanna Tucci, que já estava em Congonhas para cobrir o evento. Saímos para visitar quitandeiras, conversamos muito sobre as pesquisas culinárias e acabamos na casa do Zezeca, que faz o melhor chá de congonha da terrinha. Almoçamos lá também: uma galinha caipira especialmente preparada.

No sábado, o lançamento do livro, foi aberto com um curto concerto de viola urbana e apresentação da soprano Bianca Pignataro e do maestro Herculano Amâncio. A família marcou presença e algumas autoridades. Foi muito emocionante, além de mexer com o paladar de toda gente o livro evoca emoções infantis, a história das infâncias compartilhadas. Estando na minha terra, foi um rememorar coletivo. As pessoas citadas, minha avó, as tias eram conhecidas e lembradas com saudade por todos. Presente o "primo" Ernesto e a quase mineira Gabriela, amigos argentinos. Junelise, minha comadre, com o Dani vieram de BH, especialmente...

Do lado de fora a viola corria solta no palco montado e o público presente já curtia uma imensa variedade e sabores de caldos, cachaça, cerveja. E o tempo, ao contrário do previsto, não estava tão frio e nem chovia

.. vou parar por aqui.. tô cansada. Depois conto sobre o domingo e do Festival propriamente dito.

sábado, 7 de março de 2009

minha história de menina rapando tachos

Já falei aqui que nasci em Congonhas - MG, cidade que abriga o maior conjunto barroco esculpido pelo mestre Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho - formado pelos 12 profetas esculpidos em pedra-sabão, na entrada da Igreja Basílica de Bom Jesus de Matosinhos, e pelas 65 imagens em cedro com pinturas de Mestre Athayde das Capelas dos Passos da Paixão, tudo tombado como Patrimônio da Humanidade.

Mas o que quero contar é da minha infância nesse casarão maravilhoso:


foi nesse belo casarão que passei toda a minha infância. Imagine você o tamanho do quintal.

Passei toda a minha infância na casa da minha avó materna, rodeada de tias e tios num velho casarão do final do século XIX (alguns dizem ser do século XVIII). Meu avô veio morar ali logo depois que se casou, por volta de 1932. Suas duas primeiras filhas (minha mãe e minha tia Imene) nasceram na fazenda Bela Vista, em Entre Rios de Minas, onde só se comprava sal, querosene e tecido. Fiquei sabendo que elas nasceram na fazenda porque ambas chegaram em épocas de férias, para onde ia minha avó, que era professora quando não estava travalhando.

Com minha avó, Dinorah de Oliveira Senra, vieram também duas de suas irmãs: Tia Cecy e a minha madrinha Lete, Celeste de Oliveira. Elas não se casaram e viviam a cuidar da casa, das crianças e, principalmente, da cozinha e dos doces da casa da minha avó. Se a história diz que em Minas a cozinha é o santuário da casa, onde ocorrem os rituais dos encontros familiares, de feituras de conservas, o tempinho do café passado na hora, e a preparação dos “santos doces”, lá em casa não era diferente.

A cozinha principal era grande: havia uma pia sob uma janela que dava para a horta de couve e um fogão a lenha que deixava as paredes (pelo menos aquelas ali mais perto) pretas. Lembro de ouvir minha avó reclamar do fogão e mandar refazê-lo muitas vezes por causa da fumaça que escurecia as paredes. No centro, uma mesa quadrada grande e num canto, o armário, alto, onde se guardavam os condimentos, as farinhas, os tachos e as panelas. Um quartinho ao lado da cozinha era a despensa, onde ficavam o milho para as galinhas, os ovos colhidos, as latas de biscoitos, as caixas de doces e as réstias de alho.
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No próximo post falo das demais dependências da casa, do quintal, da horta de couve, do galinheiro... volte você também.

As fotos do arquivo da família- casamento dos meus avós, em 1931.