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quarta-feira, 14 de abril de 2010

A cozinha da Vovó Naná


Achei essa foto aqui nos meus guardados e bateu uma saudade danada dessa cozinha, desse tempo, disso tudo.
A foto é meio velhinha, né... e tô eu bem no centro, mais moleca impossível, do jeito que sempre gostei de andar, com pouca roupa, na cozinha mágica da casa da minha avó Naná. Devia ter ai uns 6 ou 7 anos. De costas, à esquerda, está Tia Cecy lavando alguma louça, panela, verdura ou fruta.

Ao fundo, olhando para a câmara e rindo, a Mene. Devia estar fazendo alguma coisa no fogão à lenha. O saleiro encostado lá no fundo, percebeu?

Repare o pretume da cozinha. Era coisa do fogão, que a vovó mandou refazer umas muitas não sei quantas vezes e nunca tinha jeito, ele sempre deixava esse pretume, mas não me lembro de enfumaçar demais, engraçado! Se fazia pretume devia enfumaçar... o que sei é que as coisas que saiam dali eram sempre divinamente saborosas, normalmente feitas pela Dinha Lete, a grande dona desse fogão.

Ao lado do fogão à lenha, e debaixo da janela, ficava o fogão a gás. Que era usado para ferver leite, esquentar alguma sopa, fazer um mexido no fim da noite (na quinta refeição do dia, como era de costume).

Pelo clarão que entra pela janela (no alto, à direita), acho que essa foto foi feita de manhã, pelo Tio Tarcizo, o fotógrafo da família. Na certa ele revelou essa foto nos quartinhos que tinham na, como chamávamos, horta de couve. A horta de couve não existe mais, mas os quartinhos (um era a oficina e laboratório fotográfico) ainda estão lá.
Repara na mesa, à frente: uma garrafa térmica, um bule, uma lata que devia estar com biscoitos, um pratinho de queijo, o açúcareiro... Enquanto todo mundo não tomava café a Dinha não recolhia as coisas. No balcão, logo atrás de onde estou, dá pra gente perceber as couves apanhadas ainda sem picar e um monte de vasilhas. Recolhida a mesa, as garrafas de café ficavam ali. Paquito, meu outro tio artista, sempre gostava (e ainda gosta) de bicar um cafezinho de vez em quando, e nem se importava muito se o café estava novinho, ou se era de mais cedo.

Que saudades que dá!