"A arte de cozinha tem algo de comum com a literatura. Os escritores, os poetas não escapam à divina tentação da invenção culinária e do desafio aos sabores".
Loy Rolim no prefácio do livro À mesa com Eça de Queirós, de Maria Antônia Goes.
Quando resolvi fazer o livro de quitandas fui buscar nos livros o quê o senso comum já sabia: porque o conceito de mineiridade começa pela cozinha. Achei na biblioteca da Fafich o livro da Mônica Abdala:
" A comida mineira está relacionada com o que se convencionou chamar hospitalidade mineira, ou a arte de bem receber ritual cotidiano ligado à tradição. Convencionou-se relacionar à identidade mineira: o fogão, a comida e a cozinha.
A associação entre um típico mineiro e a cozinha pode ser percebida na literatura desde o século XIX, através de relatos de viajantes, cartas, crônicas, ensaios, memórias, livros e posteriormente, a partir da década de 1970 por uma sistematização dos estudos da gastronomia e costumes culinários do Estado, dentro de um projeto estadual de preservação da culinária típica mineira.
No entanto, as quitandas não são mencionadas nos relatos dos viajantes do século XIX, talvez porque, infelizmente, nesse período não há relato das mulheres, que na época eram analfabetas. "
Abdala, Mônica Chaves. Receita de mineiridade: a cozinha e a construção da imagem do mineiro. –Uberlândia: Edufu, 1977.