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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Biscoito de Araruta

Nos tempos idos, a araruta era uma coisa fácil de encontrar nos armazéns, nas quitandas. Hoje em dia quase não se usa mais. Muita gente não sabe nem o que é ou, nunca ouviu falar.

Mas a araruta é uma planta que dá uma farinha muito fina e delicada e era usada para biscoitos finos. Como não tem entre seus componente o glúten, a farinha de araruta é indicada a quem tem a doença celíaca ou outra intolerância a esse amido.
De fácil digestibilidade a araruta é usada na produção de mingaus, doces, biscoitos e no engrossamento de molhos e cremes
.

Deixo uma receita de biscoito de Araruta, que copiei do caderno da minha avó e que está no livro que dá nome a esse blog: Quitandas de Minas, receitas de família e histórias

Biscoitos de araruta

1 prato de polvilho de araruta bem cheio

1 pires de farinha de trigo
1 xícara de gordura
2 colheres (sopa) de manteiga
Açúcar o quanto adoce (mais ou menos meia xícara)

Juntar os ingredientes numa gamela e amassar bem.
Fazer os biscoitos e levar para assar em tabuleiros forrados com folhas de bananeira, em forno brando.



foto de Pacelli Ribeiro, do livro Quitandas de Minas, receitas de família e histórias

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

... e a Cíntia escreveu também...


A Cíntia mora em Pouso Alegre, cidade próspera do sul de Minas (essa nossas muitas Minas) e é leitora voraz, poeta, dona de casa, cozinheira, quitandeira, musicista, adora um tacho, um fogão à lenha, e já está com um livro pronto para publicar, só falta mesmo a editora.
Olha ai ela e as panelas... Ela escreveu:

"Rosaly, já vi o blog. Ficou muito interessante. Ninguém aqui sabia me dizer de onde vinha a araruta e o Noel" com seu dia de mingau"fechou a questão e prova, mais uma vez, que na cozinha nascem as boas idéias. Comendo e bebendo se faz música, poesia, grandes amizades.Uma coisa puxa a outra e elas vão se encadeando, elos de uma mesma corrente.
Não sei se lhe contei sobre a Adélia Prado na minha cozinha, almoçando e jantando por obra do acaso, pois se a porta está sempre aberta alguém há de entrar. E ela entrou com seu marido muito simpático, comeu frango com quiabo e angú, chupou jaboticaba e jogou conversa fora como boa mineira.
Quinta feira passada juntei minha turma do violão e fomos na fazenda tocar pra minha mãe.
Chovia muito mas mesmo assim fomos recebidas com um festival de milho verde: bolão, pamonha...e ela na sua cadeira, sem dar mais muito acordo do que acontece a sua volta, mas mesmo assim gostou da barulheira que fizemos.

Não sei entrar no blog para palpitar.Vou pedir socôrro pra minha prof. de flauta e depois dou um alô. Tenho três receitas de bolo de maçã, com pequenas diferenças. É bem como você fez. Muda uma coisinha aqui, outra ali, o dedo de um palpiteiro e muitas coisas gostosas vão sendo criadas.

"Comer é muito bom. É um ato de fé na vida. E um prazer que pode ser partilhado, por isso a mesa é chão sagrado." Este é um pedacinho do meu livro: No calor do fogo e da alma mineira."


Brigadão Cíntia, você palpitou bonito!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

... Sobre ingredientes usados nas quitandas: Araruta

Araruta

A araruta ou maranta (Maranta arundinacea) é uma planta arbustiva originária da América tropical, cultivada há pelo menos 7000 anos. Conhecida também como agutingue-pé, araruta-caixulta, araruta comum, araruta-palmeira e embiri, suas folhas têm forma de lanças, peludas na parte inferior. As flores são brancas e pequenas. Nascem solitárias ou em panículas terminais e o fruto contém sementes rugosas, de cor vermelho-pálida.

Segundo a sabedoria popular, a araruta tem vários usos medicinais. Considerada como um alimento de fácil digestão é recomendada a idosos, crianças pequenas e pessoas com debilidade física ou com restrições alimentares ao glúten (doença celíaca), o polvilho da araruta tem uma leveza inigualável. Por isso os biscoitos derretem na boca.

Nas receitas de produtos industrializados o polvilho de araruta tem sido substituído pelo polvilho da mandioca ou pela farinha de trigo ou milho. Porém, as donas de casa dos antigos cadernos preparavam suas quitandas, brevidades, mingaus e bolos, de araruta.


Crédito da foto: www.bibvirt.futuro.usp.br/

Em 1932, Noel Rosa, o maior compositor da Vila Isabel, e o letrista Orestes Barbosa fizeram o samba Araruta, que ficou inédito até 1983 , quando foi gravado pelo conjunto Coisas Nossas no disco: Noel Rosa inéditos e desconhecidos.










A letra do samba é esse:

Tu pedes
Mandando
"Faça o favor" a tua boca nunca diz.

Tu cedes
Negando
Com esses olhos que para mim são dois fuzis.

Sou mole,
Manhoso,
Teus impropérios retribuo com brandura
Pois água mole
Na pedra dura tanto bate até que fura!

Tu beijas
Mentindo
A tua boca beija e mente sem sentir.

Desejas
Sorrindo
Que o teu perdão humildemente eu vá pedir.

Não peço,
Espero
Ainda ver-te entre lágrimas bem mal.
Meu bem, escuta:
A araruta tem seu dia de mingau!