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domingo, 12 de dezembro de 2010

Pãozinho de batata da Tia Zoé

Dezembro é sempre tempo de correria, de idas e vindas às compras. Todo mundo só pensa em comprar e essa mania está cada vez mais em voga. Sinceramente não sei onde vamos parar, comprando tanto.
Eu prefiro, nesse tempo de compras, ficar em casa e botar em prática os dotes culinários
.

Cada dia que passa, acho a cozinha um lugar mais agradável, mais poderoso. Sei que as minhas tias
-avós, que viviam na fazenda nem muito tempo tinham de ir à cidade para as compras. Mas iam, às vezes. E traziam panos e aviamentos, porque eram elas mesmo que costuravam as suas roupas e da filharada, uma bolsa que não resistiam, sapatos para quase todos, que normalmente duravam muitos anos, algum bombom, já que o chocolate era algo raro.
Tia Zoé, a segunda das filhas, já casada, morava na capital e sempre recebia a parentada com carinho, atenção e mesa farta.

Essa receita de pãozinho de batata está no Quitandas de Minas, e foi copiada do caderno da Tia Zoé, e tinha a notação de "muito boa" e é bem fácil de fazer. Vamos experimentar?


Pãezinhos de batata da Zoé


2 kg de farinha de trigo

½ kg de batata cozida e passada no espremedor
2 xícaras de açúcar
1 xícara de banha derretida
1 colher (sopa) de manteiga
2 copos de leite
2 tabletes de fermento de pão (ou 2 colheres bem cheias)
6 ovos inteiros
1 colher (café) de sal.

Modo de fazer:
Dissolver o fermento no leite morno, juntando a batata,
duas colheres de açúcar bem cheias e uma xícara de farinha de trigo.
Essa massa deve ficar na consistência de panqueca.
Deixar na gamela por mais ou menos uma hora.
Depois de crescida a massa, juntar os demais ingredientes,
amassando e sovando bem. Se precisar colocar mais leite.
A massa não pode ficar muito dura.
Enrolar os pãezinhos e colocar num tabuleiro para crescer novamente.
Depois de bem crescidos, passar gema de ovo batida com um
pouquinho de manteiga e levar ao forno para assar.


E deixo essa receita da Tia Zoé, com muita saudade de todas as tias, irmãs da minha avó Naná. Ontem
Tia Lacyr, a única que ainda estava com a gente, resolveu se juntar às irmãs pra uma grande festa no céu. Saudade de todas.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Amêndoas da Tia Zoé

Tia Zóe era irmã da minha avó Naná, a segunda da família e morreu aos 93 anos cheia de lucidez.
Quando a gente era criança, lembro bem, se diziam que vinhamos a Belo Horizonte, era pra ficar na casa da Tia Zoé, no bairro Santa Efigênia. Era uma casa com quintal e tinha um barracão no fundo que funcionava como sala de aula. Tia Zoé era professora e já aposentada dava aulas de reforços.

Na área do tanque, Tio Tonho, seu marido, tinha uma coleção imensa de pássaros cantadores. Eu não entendia bem porque ele mantinha tantos passarinhos engaiolados, mas sabia que ele era apaixonado pelos canários, pelos sabiás, e outros tantos.
Ele nem deixava a gente chegar muito perto das gaiolas. Lembro que Tio Tonho passava a manhã inteira dando ração, limpando gaiolas, cuidando com o maior carinho. Entre aqueles todos (eram mais de 100 gaiolas) havia alguns sabiás premiados em concursos, que valiam muito dinheiro, coisa que eu ainda nem sabia muito bem para quê servia.

Tia Zoé, além de professora era ótima contadora de história e de piadas. Era muito risonha, engraçada mesmo. Vivia nos trazendo charadas, brincadeira de advinhas, parlendas ...
Lembro dela ajuntando a meninada para contar histórias. Minhas tias, irmãs da minha mãe, contavam também, que no tempo da fazenda, Tia Zoé levava a meninada para um quarto, apagava todas as luzes (na fazenda, apagava o lampião mesmo) e contava histórias de fantasmas e assombrações. Ficavam todos no maior medão, se encolhiam, mas toda noite queriam mais...

Era boa cozinheira e também doceira, claro. Uma das suas especialidades eram as amêndoas, que ela levava para Congonhas enroladas em uns pacotinhos feitos de papel manteiga em forma de cone ou em pacotinhos de
pipoca. Contava que fazia com frequência para as crianças (anjos) que participavam da coroação de Nossa Senhora no mês de maio e também para os anjos da Semana Santa da paróquia de Santa Efigênia em Belo Horizonte, ou onde ela estivesse na época .

Segue a receita, sem medida, porque eram feitas "no olho".

Amêndoas da Tia Zoé

Amendoim torrado e limpo

Açúcar refinado
Erva-doce

Modo de fazer:
Fazer uma calda em ponto de espelho* com açúcar refinado. Colocar os amendoins, já limpos e torrados numa tigela junto com um pouco de erva-doce esfregadas na mão. Colocar a calda aos poucos sobre os amendoins. A calda deve ser mantida no fogo brando, no mesmo ponto. Mexer bastante (rodando) a tigela até açucarar. Quando tiver seco, repetir a operação, até que as amêndoas estejam do tamanho desejado. Quando acabar a calda, bater as amêndoas até ficarem brancas e sequinhas.

(Pode ser usados pedacinhos de coco)

* Ponto de espelho: quando escorrida na escumadeira a calda faz uma cortina na transparência de um espelho.


Acho muito difícil e trabalhoso fazer essas amêndoas. Outro dia minha mãe e a Mene tentaram fazer e não conseguiram, mas lá em Ouro Preto a tradição de distribuir amêndoas para os anjos continua. A foto é do último 4 de abril, domingo de Páscoa.