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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pessegada

Fim de ano chegando e vem as lembranças das férias,
da meninada
chegando na casa da vovó, o tempo de chuva, de fazer doce na coberta. Às vezes era fumaça, chuva, tacho no fogo, ventania, tudo junto. A gente andava daqui pra lá, ouvindo um ou outro aconselhando: "Cuidado com a mudança de temperatura. Cuidado com o vento, você que está ai, pregada no tacho".
Uma das frutas dessa época mais gostosas é o pêssego. Lá em casa não havia muitos pés de pêssego. Que eu me lembre, havia um ou dois, ficavam logo depois do galinheiro.

Vovó apanhava, pelava, se estavam bons, sem bicho, fazia doce de compota. Se tinha muito bicho, limpava bem e aproveitada os pedaços bons do pêssego para fazer pessegada. Ficar sem essa delícia que a gente não ficava. A receita abaixo é da Tia Cecy, a grande doceira da família.


Pessegada (Tia Cecy, Entre Rios de Minas)

2 kg de pêssegos sem os caroços
1 kg de açúcar

Modo de fazer:

Depois de pelados e sem caroços é que se pesa. Aferventar para tirar o amargo. Trocar a água e deixar cozinhar. Quando estiverem cozidos, escorrer a água. Em seguida passar na peneira de taquara. Levar ao fogo junto com o açúcar e tomar o ponto da seguinte maneira: tirar um pouco na ponta da faca e deixar esfriar. Bater nas costas da mão. Se não pegar, está bom para despejar em caixetas forradas com papel manteiga.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pérolas Divinas


Tia Cecy era irmã da minha vó Naná.

Morava com a gente naquele casarão onde passei minha infância, mas adorava viajar. Visitava as primas e sobrinhas espalhadas pelos recantos de Minas, Rio e São Paulo. Vinda da fazenda Bela Vista, onde nasceu minha mãe, ela sempre contava muitos casos da roça, e dos seus namorados. Era bem namoradeira a Tia Cecy!

Vaidosa, tinha uma penteadeira cheia de perfumes, broches, brincos, laquês e um guarda roupa impecável: mantinha tudo arrumadinho e cheiroso.

Para mim, ela era a tia doceira, apesar de não poder provar nada, porque era diabética. Apesar disso, uma das imagens que guardo dela é mexendo um tacho (ou seria caldeirão??) na coberta, como chamávamos. A coberta era uma extensão da cozinha. Lá ficava um forno a lenha e o fogão especial para o maior tacho de doces da casa, além de ser ocupado também pela oficina dos artistas da casa... depois eu conto sobre isso aqui neste blog.

Cuidadosa sempre, também a Tia Cecy tinha um caderno de receitas e foi dali que tirei a receita dessas Pérolas Divinas que também está no Quitandas de Minas, receitas de família e histórias. E a receita estava datada: 15-02-1935.

Os ingredientes são:
3 xícaras de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento biológico
½ xícara de açúcar
2 ovos
1 colher (sopa) de manteiga
Casquinhas de um limão
1 colherinha (chá) de sal.

E para fazer, é assim:

Misturar o açúcar com a manteiga até a massa ficar bem clara. Bater separadamente as claras, juntando-se em seguida as gemas. Por último, adicionar a farinha peneirada com o fermento, formando a massa na consistência de enrolar bolinhas. Fritar e polvilhar com açúcar e canela.


Tia Cecy deixa muitas saudades e uma lembrança bem doce!