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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

... como prometido

E o carnaval acabou. Ou, carnaval agora só em 2010, ano em que acontecem novas eleições presidenciais no Brasil e a primeria Copa do Mundo de Futebol no continente africano. Mas pra falar que o carnaval já acabou depende de qual região do Brasil você está agora. Mas isso aqui não faz muita diferença, porque pular, coçar e comer é só começar, já dizia minha avó.

Então, que a folia já começa a refrescar, entre na paz, e tente preparar essa receita da maravilhosa Broinha de Fubá de Canjica do Hotel Guanabana de S. Lourenço. Essa receita foi-me passada por telefone pela pessoa que faz as broinhas todos os dias, o cozinheiro José Fernando Sobral. Ele me disse que é bastante trabalhosa, mas é tanta gente que pede a receita, que ele se sente recompensado. Foi explicando cada passo, naquele jeito mineiro e cuidadoso de passar um segredo. Senti, do lado de cá da linha que ele era só alegria!



Anote os ingredientes:


1 litro de leite ou água
½ xícara de margarina
½ xícara de açúcar

1,6 kg de farinha de trigo
1 kg de fubá
20 ovos

Uma batedeira industrial
Um forno elétrico

Levar a mistura de leite, margarina e açúcar ao fogo e deixar até ferver. Quando ferver, misturar 600g de farinha de trigo e 600g de fubá, colocando devagar para não embolar. Levar para bater numa batedeira industrial, juntando aos poucos 20 ovos, colocando de 3 em 3, aos poucos. Bater por uma hora, até esfriar. Tirar da batedeira e, com uma colher, ir fazendo as broinhas. Passar cada broinha feita numa mistura de aproximadamente 1 kg de farinha de trigo e 300 g de fubá. Colocar, com cuidado, num tabuleiro polvilhado e levar para assar em forno elétrico por aproximadamente 45 minutos. Dá mais ou menos 25 broinhas, mas são maravilhosas.

Se você fizer, por favor, me avise, que vou fazer questão de ligar para o Fernando Sobral.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

no sul de Minas


Uma semana antes do lançamento do Quitandas de Minas, receitas de familia e histórias em BH, recebi um convite pra lá de especial (de alguém pra lá de especial também), para ir conhecer as cidades do Sul de Minas: Caxambu e São Lourenço. Em Caxambu estava acontecendo a 31ª reunião da Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) e o Paulo Praxedes que estava lá representando o INEP fez questão da minha presença para autografar o Quitandas, que estava sendo vendido por lá e já fazia sucesso. Paulo é de Januária, cidade que fica à beira do Rio S. Francisco e mora atualmente em Brasília.


Reparei que Minas são mesmo muitas, como já disse Guimarães Rosa. Mas algumas das características definem bem o mineiro: povo hospitaleiro, fazedor de boa comida e muitos doces, muitas quitandas, que gosta de prosear e contar casos. Por ali, no sul de Minas há a maior plantação de café do Brasil e é fácil encontar essa combinação mais que perfeita: cafés e quitandas. Lá a gente encontra Quitandas nos dois sentidos: as vendinhas de frutas e os doces, biscoitos e pães tão saborosos, e feitos com tanta maestria.


Em São Lourenço ficamos hospedados no Hotel Guanabana. O café da manhã tinha a melhor broinha de fubá de canjica que já experimentei da vida: olha ela ai, que levamos pra Caxambu na bolsa:





A receita dessa broinha especialíssima é feita pelo
talentoso José Fernando Sobral, que trabalha no hotel.
Eu vou postar a receita aqui toda explicadinha pra você experimentar fazer. Aguarde!




Nos passeios que fizemos pelo belíssimo Parque das Águas de São Lourenço há sete fontes de águas terapêuticas, muito verde, um balneário onde se pode relaxar com banhos e massagens deliciosas entre outras coisas e num cantinho super simpático uma estante com livros bem variados para que as pessoas se deleitem também com a literatura. Lá encontramos um livro do Rubem Alves que também é mineiro, dali pertinho - de Boa Esperança - que tem um dos textos mais explicativos sobre o que é a cozinha para os mineiros. Trechos desse texto abre um capítulo no Quitandas de Minas, receitas de família e histórias porque ilustra bem a cozinha da casa em que cresci: a casa da Vovó Naná e do Vovô Zezé.


"Seria tão bom, como já foi...", diz a Adélia. A alma mineira vive de saudade. Tenho saudade do que já foi, as velhas cozinhas de Minas, com seus fogões de lenha, cascas de laranja secas, penduradas, para acender o fogo, bule de café sobre a chapa, lenha crepitando no fogo, o cheiro bom da fumaça, rostos vermelhos. Minha alma tem saudades dessas cozinhas antigas...”

“ Nas casas de Minas a cozinha ficava no fim da casa. Ficava no fim não por ser menos importante mas para ser protegida da presença de intrusos. Cozinha era intimidade. E também para ficar mais próxima do outro lugar de sonhos, a horta-jardim. Pois os jardins ficavam atrás. Lá estavam os manacás, o jasmim do imperador, as jabuticabeiras, laranjeiras e hortaliças. Era fácil sair da cozinha para colher chuchu, quiabo, abobrinhas, salsa, cebolinha, tomatinhos vermelhos, hortelã e, nas noites frias, folhas de laranjeira para fazer chá.”

O texto completo, pra você conferir e se identificar está no link: http://www.rubemalves.com.br/cozinha.htm