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terça-feira, 10 de maio de 2011

Biscoito de Coco


Monteiro Lobato era a voz do interior, valorizava a culinária caipira, as frutas, os costumes, a cultura nacional cheia de contradições e coisas bizarras, como comer iça torrado, (içá = fêmea da saúva), hábito que era como um ritual para os índios e foi incentivado pelos padres jesuítas, preocupados com os estragos causados pelos insetos nas plantações, por exemplo, que o escritor considerava um tira-gosto sui generis, um caviar da gente tautabeana.

No universo do Sítio do Pica-pau Amarelo, Tia Nastácia, simpática personagem era a cozinheira de mão cheia. Dizia: “nasci no fogão e no fogão hei de morrer”. Fazia vários pratos, de um jeito tão especial que até personagens mitológicos se rendiam aos encantos de suas iguarias. Narizinho, Emília e Pedrinho se fartavam. Emília queria ser gente, já que boneca não come, só para se deliciar como as crianças.

Já que estamos na safra de coco, deixo mais uma receita de Biscoitos de Coco, também dos cadernos de Purezinha.

½ kg de farinha de trigo

150g de açúcar
125g de manteiga
1 coco ralado
2 ovos
1 colher (sopa) de fermento em pó

Para fazer é bem simples: misturar todos os ingredientes, fazer os bolinhos e levar para assar em tabuleiro untado em forno quente.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Jeca tatu, homem rural criado por Monteiro Lobato

Depois de criar o Jeca Tatu, um homem fraco, ignorante e doente como um representante da população rural e criticar o abandonado do homem do campo pelos poderes públicos no livro Urupês, em 1918 Monteiro Lobato, que se torna em 1924, amigo de Candido Fontoura, fabricante do Biotônico Fontoura resolve transformá-lo em garoto propaganda para reverter o quadro criando o personagem radiofônico Jeca Tatuzinho, que ensinava noções de higiene e saneamento às crianças e à população em geral.

O criador do Sítio do Pica-pau Amarelo recebia caixas e mais caixas do Biotônico Fontoura que conforme rótulo era: “proctetor da saúde – afamado remédio que produz força, vigor e robustez defendendo o organismo das enfermidades que se originam da fraqueza orgânica.”

Em sua casa, esse fortificante era misturado à gemada era dada a seus filhos regularmente, principalmente quando estavam doentes e também oferecido às visitar como se fosse um “licor maravilhoso” e ninguém desconfiava de nada.

Segue mais uma receita retirada do livro À mesa com Monteiro Lobato de Márcia Camargos e Vladimir Sacchetta organizado a partir do caderno de receitas de D. Purezinha, caderno vermelho que guardou as mais tradicionais receitas do interior do Brasil. E como estamos em maio, tempos de noivas e casamentos, vai ai um...

Espera –marido

1 litro de leite cru

3 copos de açúcar
2 claras
4 gemas

Canela para polvilhar


Numa vasilha, misturar o leite com o açúcar. Bater as claras em neve e juntar as gemas , batendo um pouco mais. Despejar os ovos batidos sobre o leite adoçado e levar ao fogo brando. Deixar no fogo até engrossar, sem mexer. Quando engrossar, tirar do fogo e deixar esfriar. Polvilhar com canela.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Curiosidades culinárias acerca de Monteiro Lobato

Juca, como era chamado por sua neta Joyce, gostava de pintar e fotografar e adorava quitandas e quitutes. Gostava de “bolinhos de chuva, biscoito de polvilho, sequilhos, curau, pamonha, canjica, pipoca , paçoca, goiabada cascão, banana seca, bala de coco, rapadura, pé de moleque, doces de leite talhado, de abóbora, de casca de laranja, além de figo cristalizado, banana da terra frita e bolo de fubá" feitos e servidos por sua querida Purezinha.

Tinha manias estranhas: com o doce de leite vendido em barra em Taubaté, Juca picava e colocava no bolso e ia comendo enquanto trabalhava. No café da manhã, misturava farinha de milho com café preto numa xícara grande, e se não tinha farinha de milho, usava a de mandioca.


O livro À mesa com Monteiro Lobato, de Márcia Camargos e Vladimir Sacchetta
foi concebido e organizado a partir de um caderno vermelho de D. Purezinha, esposa do grande escritor. Nesse original, foram encontradas receitas transcritas e reescritas por ele, que sempre acrescentava um toque de humor, ou um neologismo. Retirei dali essa receita:



Bolo de farinha de milho

2 xícaras de farinha de milho
1/2 litro de leite
2 xícaras de açúcar
2 ovos batidos separados
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal
Um pouco de queijo ralado
1 colher (sopa) de banha de porco
1 colher (sopa) de manteiga

Colocar a farinha numa tigela. Colocar o leite e esperar uns 25 minutos. Acrescentar os demais ingredientes, misturando bem. Despejar numa forma untada e enfarinhada e levar para assar em forno pré- aquecido. Querendo pode-se juntar meio (ou 200g ) de coco ralado à massa.

CAMARGOS, Márcia. Memórias da neta de Monteiro Lobato. SP: Moderna, 2007.
___ e SACCHETTA, Vladimir. À mesa com Monteiro Lobato. SP. SENAC, 2008.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Livro comestível



Há 129 anos, no dia 18 de abril de 1882 nascia, em Taubaté -cidade do Vale do Paraíba- interior paulista, José Bento Monteiro Lobato, o maior escritor da literatura infantojuvenil brasileira, o criador do Sítio do Picapau Amarelo, que nos alimentou e alimenta com suas tantas histórias fantásticas e as recriadas da literatura universal. Monteiro Lobato foi defensor e valorizador da cultura nacional e ferrenho articular de campanhas nacionalistas.

Com temperamento contestador, Monteiro Lobato aproveitava tudo ao seu redor, para valorizar ou criticar. Como valorizador da cultura brasileira, Monteiro Lobato menosprezava os menus estrangeirados dos restaurantes urbanos e destacava a culinária caipira, do interior. Nas histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo, não faltam exemplos e receitas de Tia Nastácia que "manejava o violino do gostoso" ou servia "pratos-gostusuras" ao visitantes ilustres.

Em Reforma da Natureza, Monteiro Lobato, através da boneca Emília, sugere livros comestíveis, que alimentam o corpo e a alma:

" em vez de impressos em papel de madeira, que é só comestível para o caruncho, eu farei os livros impressos em um papel fabricado de trigo e muito bem temperado. A tinta será estudada pelos químicos - uma tinta que não faz mal para o estômago. O leitor vai lendo e comendo as folhas, lê uma rasga-a e come. Quando chega ao fim da leitura, está almoçado ou jantado."

(MONTEIRO LOBATO. Reforma da natureza. Ed. Brasiliense, 1964.p. 236)


Volto com receitas recolhidas por Monteiro Lobato dos cadernos de Purezinha, sua mulher!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009



...e para fechar meus post sobre a pretinha mais amada do quintal, deixo um fragmento do Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Ambos, representantes puros e legítimos da minha infância:

" No sítio de dona Benta havia vários pés, mas bastava um para que todos se regalassem até enjoar. Justamente naquela semana as jabuticabas tinham chegado "ao ponto" e a menina não fazia outra coisa senão chupar jabuticabas. Volta e meia trepava à árvore, que nem uma macaquinha. Escolhia as mais bonitas, punha-as entre os dentes e tloc! E depois do tloc, uma engolidinha do caldo e pluf! – caroço fora. E tloc, pluf – tloc, pluf, lá passava o dia inteiro na árvore.

As jabuticabas tinham outros fregueses além da menina. Um deles era um leitão muito guloso, que recebera o nome de Rabicó. Assim que via Narizinho trepar à árvore, Rabicó vinha correndo postar-se embaixo à espera dos caroços. Cada vez que soava lá em cima um tloc! seguido de um pluf! ouvia-se cá embaixo um nhoc! do leitão abocanhando qualquer coisa. E a música da jabuticabeira era assim: tloc! pluf! nhoc! – tloc! pluf! nhoc! …"

Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1973. p.26

reprodução da capa da 1ª edição do Reinações de Narizinho. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1931.