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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Gilberto Freyre, açúcar e manga


A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty homenageou esse ano o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), pernambucano que tratou a miscigenação e identidade nacional de forma definitiva para a história da literatura e sociologia brasileiras através dos livros Casa-Grande & Senzala (1933) e Sobrados e Mucambos (1936) e Açucar (1939).


No livro Assúcar , naquela época escrito assim mesmo, Gilberto Freyre se debruçou sobre as tradições familiares no preparo de doces, criou a sociologia do doce brasileiro a partir de receitas de bolos e doces do nordeste do Brasil, caracterizando nosso povo e demonstrando que nossa afeição pelos doces é herança recebida dos portugueses, claro com a contribuição das mãos africanas e das especiarias nativas utilizadas pelos índios.

Seu doce preferido era o coupe regional, uma mistura de cocada e sorvete de tapioca. A intelectualidade, claro, torceu o nariz. Como um sociólogo vai escrever sobre bolos e quitutes? Houve até quem dissesse que o autor de Casa-Grande & Senzala era um sociólogo de alfenin – em referência ao doce preparado a base de clara de ovo e açúcar.

O sociólogo afirma que o açúcar moldou nosso jeito de ser e nossa alma e completou: Sem açúcar não se compreende o homem do nordeste.


Durante os séculos 16 e 17, Pernambuco foi o maior produtor mundial de açúcar. E atualmente o Brasil, é um dos maiores exportadores de manga, ficando atrás apenas da Índia e do México. Sua produção anual é estimada em mais de 1 milhão de toneladas. O maior estado produtor é justamente Pernambuco, seguido por Bahia e São Paulo. Foi por isso que fiz aqui essa junção de Gilberto Freyre + Açúcar + Manga, já que essa fruta maravilhosa está entrando na safra.

Deixo então do livro Açúcar de Gilberto Freire, a receita do Doce de Manga tal qual ele escreveu, sem
nada de complicação.

Doce de manga
Descasca-se a manga e corta-se em talhadas. Faz-se um mel ralo
(calda) põem-se dentro as talhas, que se levam ao fogo para fazer o doce. Quando o mel se mostra em ponto de fio brande o doce está pronto.



Volto com mais manga, já que são tantas as variedades e tão saborosas e nutritivas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A batida secreta de Gilberto Freyre

Pesquisando sobre frutas, comidas, história etc achei essa curiosidade no site da Revista Almanaque Brasil tirada do livro de Luís da Câmara Cascudo, História da Alimentação no Brasil, que vale a pena compartilhar com os leitores do Quitandas de Minas.

"A batida secreta de Gilberto Freyre

Ninguém entrava na casa do pernambucano Gilberto Freyre sem passar pelo ritual introdutório: provar a batida de pitanga criada pelo anfitrião. E olha que muita gente entrou lá. O escritor José Lins do Rego dizia que a casa era o “Vaticano do Recife”. John Dos Passos, novelista dos Estados Unidos, consumiu um frasco todo da bebida. Roberto Rossellini, cineasta italiano, um e meio. Freyre explicava que a cachaça precisava ser de “cabeça”, o primeiro jato do alambique. As pitangas, colhidas na hora, tinham que estar bem vermelhas. Ia ainda um licor de violeta feito por freiras de um convento de Garanhuns. E um “pormenor significativo” – que ele nunca revelou qual era; nem para a mulher, nem para os filhos. Um dos poucos que não passou da primeira dose foi o cronista Rubem Braga. Bebeu meio cálice, fez um muxoxo e pediu uísque."

Eu volto falando de Gilberto Freyre, aguarde!